Naiara a confortou com ternura.
— A sua irmã vai curar a sua doença. E quando você estiver boa de novo, eu te coloco na escola.
— Não precisa.
Embora fosse uma criança de treze anos, as palavras saíam com o peso de alguém que já havia suportado muitas tempestades, maduras até demais.
— Eu sei que você não é minha parente distante. Você é só uma alma bondosa, não é?
Antes que Naiara pudesse responder, ela continuou:
— Só o fato de pagar o meu tratamento já me deixa muito agradecida. Nem sei como vou retribuir no futuro, não posso deixar você pagar a escola também. Quando eu melhorar, vou arrumar um trabalho. E com o dinheiro que eu ganhar, te pago aos poucos. Mesmo que...
— Mesmo que eu saiba que a minha doença vai custar uma fortuna e que eu talvez não consiga pagar tudo nesta vida, eu ainda quero devolver o que puder, pouquinho a pouquinho.
O peito de Naiara se apertou dolorosamente. Ela abriu os braços.
— Vem cá. Dá um abraço na sua irmã.
Natália se aninhou devagar em seus braços.
Naiara sentiu de imediato os ossos rígidos contra si.
A menina era só pele e osso, absurdamente magra.
— Meu bem, preste atenção no que a sua irmã vai dizer. Eu não preciso que você me pague nada, e muito menos de retribuição. Se você realmente quer me agradecer, só precisa realizar um desejo meu, pode ser?
A criança assentiu contra o peito dela.
— Pode. Qual é o seu desejo?
— O desejo da sua irmã é que a nossa Natália seja muito corajosa e derrote essa doença. Depois, que vá para a escola toda feliz, consiga entrar em uma boa universidade e, por fim, se torne uma pessoa muito útil para a sociedade.
Um brilho de esperança acendeu nos olhos de Natália.
Após um longo silêncio, ela murmurou:
— Irmã, eu vou me esforçar muito para realizar o seu desejo.
Naiara afagou as costas finas da garota.
— Assim que se fala.
— Irmã.
— Oi?
— Você tem um cheiro parecido com o da minha mãe.
— E mais: mesmo sem a sua mãe, você tem a mim. Se precisar de qualquer coisa, é só me contar. A sua irmã vai estar do seu lado, ouviu?
Natália jogou-se novamente nos braços de Naiara e chorou por um longo tempo.
Chorou tanto que Naiara também quase derramou lágrimas.
Aquela criança vinha reprimindo tudo por tempo demais.
Chore. Deixe tudo sair, vai se sentir muito melhor.
Quando o sol nascesse amanhã, um novo e belo dia começaria.
...
Em casa, após desligar o telefone, Felícia andava de um lado para o outro na sala, tomada pela aflição.
A senhorita simplesmente não lhe dava ouvidos.
O que ela ia fazer?
Depois de muito pensar, Felícia de repente se lembrou de uma pessoa.
A senhora não escutava seus conselhos... mas com certeza escutaria os *dele*.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...