Naiara observou aquele rosto repleto de sinceridade e ficou perplexa por um instante.
Aquele não parecia o Carlos que ela conhecia.
O Carlos que ela conhecia sempre fora altivo, inalcançável e dono da razão.
Mesmo quando estava errado, jamais admitia tão facilmente.
As palavras "me desculpe" simplesmente não existiam no vocabulário dele.
— Carlos, você realmente parece estar um pouco diferente.
— Diferente como?
Naiara deu uma risada seca.
— O fato de pedir desculpas. Isso é uma raridade.
— No passado, admito que errei muito com você. Sempre quis te dizer essas duas palavras, mas não encontrei a oportunidade. Você tem me evitado o tempo todo.
— Naiara, de agora em diante, você poderia parar de me evitar?
Naiara permaneceu em silêncio.
Carlos deu mais um passo na direção dela.
— Apenas como amigos.
Naiara apertou os lábios enquanto o encarava, sem saber o que responder.
Ela imaginou que Carlos ficaria furioso ao não receber uma resposta imediata.
Mas não ficou.
Ele disse calmamente:
— Entre, está frio lá fora. Daqui a dois dias, lembre-se de ir ao hospital trocar o curativo.
Depois de dizer isso, Carlos foi embora.
Naiara também se virou e entrou na casa.
Ao ligar a luz, a sala se iluminou instantaneamente.
Mas continuava fria e silenciosa.
Ao chegar à sala de estar, notou um vaso de planta na mesa de centro.
Estava verde e cheio de vida.
Provavelmente foi Gualter quem o deixou ali.
Era surpreendente que alguém tão insubordinado e gélido tivesse paciência para cuidar de plantas.
Naiara foi para o quarto e tomou um banho rápido.
Durante o banho, tomou cuidado para não molhar a ferida no pescoço.
O vapor quente condensou no espelho, formando uma camada espessa e esbranquiçada que escondia o reflexo.
Naiara, ainda nua, estendeu a mão e limpou a névoa do espelho.
O contorno do seu rosto apareceu com nitidez, mas ela sentiu como se não conseguisse reconhecer a pessoa refletida ali.
Ela não deveria ter ido embora com Carlos.
Porque isso partiria o coração de Afonso.
Mas a ideia de ir com Afonso a assustava ainda mais.
Porque ela não sabia como encará-lo...
Por fim, guardou a caixa com o colar dentro da gaveta.
Naiara ficou deitada na cama por muito tempo.
A madrugada já ia alta, o silêncio dominava tudo, mas o sono não vinha.
Saber de tantas coisas e enfrentar tantos imprevistos fez com que sua cabeça doesse a ponto de quase explodir.
Naiara jogou as cobertas de lado, caminhou até a janela e abriu as cortinas.
Deveria ser o momento em que todos já estivessem dormindo, mas ainda havia luzes pontilhando o prédio em frente.
Os olhos de Naiara, quase involuntariamente, se voltaram para uma direção específica.
Era a direção onde Afonso morava.
Será que ele já tinha voltado?
E o ferimento no pulso dele, já tinha sido tratado?
Naiara sentiu uma vontade enorme de ligar e perguntar.
Mas sabia que não podia fazer isso.
Ela soltou um suspiro pesado. Quando estava prestes a fechar a cortina, seu olhar travou subitamente.
Aquela silhueta...
Era o Afonso?
A luz do poste alongava a sombra dele no chão, deixando-o com um aspecto tão... solitário...
Infelizmente, não era possível ver seu rosto com clareza.
No entanto, Naiara tinha a mais absoluta certeza de que aquele homem era Afonso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...