Por instinto, Naiara gritou com plenos pulmões.
— Parado!
Ela mesma não sabia se estava gritando para o sequestrador ou para Ronaldo.
Mas já era tarde demais.
Ronaldo desferiu um chute letal que arremessou o sequestrador para trás.
E atrás dele, só havia o abismo.
Naiara assistiu, impotente, enquanto o homem despencava na escuridão.
Mas ela conseguiu ouvir o último grito dele antes de desaparecer.
— Cumpra a sua palavra!
Ela sabia que aquele grito era direcionado a ela.
Foi a primeira vez que Naiara testemunhou a passagem da vida para a morte bem diante dos seus olhos.
Em pânico, ela cambaleou alguns passos para trás.
— Naiara!
— Naiara!
Duas vozes ecoaram em uníssono.
Uma era de Carlos.
A outra era de Afonso.
Afonso... também estava ali?
O tropeço fez o corpo de Naiara pender perigosamente para o lado vazio da beirada.
Seu coração afundou.
Era hoje? Ela realmente iria morrer?
Mas em frações de segundo, uma força avassaladora amparou a sua cintura.
Sem nem entender o que estava acontecendo, Naiara foi empurrada para outro abraço seguro.
— Senhor Afonso!
— Afonso!
Mais duas vozes soaram ao mesmo tempo.
Naiara as reconheceu de imediato.
Uma era de José.
A outra era de Isadora.
Naiara virou o rosto para olhar e sentiu as pernas cederem de terror.
Nunca havia sentido um desespero tão absoluto.
Para conseguir empurrá-la para a segurança, Afonso perdeu o equilíbrio e caiu da beirada.
Por um milagre, José conseguiu agarrá-lo firmemente a tempo.
O primeiro instinto de Naiara foi correr até lá.
Mas Carlos a segurou.
— Ele não vai morrer, fique tranquila.
Só então Naiara percebeu que a pessoa que a havia amparado e a segurava agora era Carlos.
Os policiais se afastaram.
Carlos, com uma gentileza que nunca havia demonstrado antes, disse a Naiara:
— Eu te levo ao hospital para cuidar desses ferimentos.
A mente de Carlos estava obcecada com a história da gravidez.
Ele precisava tirar aquela história a limpo.
Carlos segurou o pulso de Naiara com a intenção de levá-la embora.
Mas a outra mão dela foi imediatamente segurada por Afonso.
A palma dele era quente, trazendo aquela sensação inconfundível de segurança que ela conhecia tão bem.
Mas Naiara, por alguma razão, sentiu medo de segurar de volta.
No momento em que o viu despencar daquele prédio, o seu mundo quase desabou.
Naquele segundo, Naiara preferia que quem tivesse caído fosse ela.
Se acontecesse uma tragédia com Afonso.
Ela seria uma pecadora que jamais mereceria perdão.
— Senhor Carlos, a Naiara faz parte da minha empresa. É natural que eu me responsabilize por ela. Não precisa se incomodar — declarou Afonso.
Carlos apertou o braço de Naiara ainda mais forte.
— Posso não ser mais o marido dela, mas ainda somos amigos. Além disso, fui eu quem chegou primeiro para salvá-la. Sugiro que o Senhor Afonso solte a mão dela.
Afonso não soltou.
Sob sua expressão serena, escondia-se a calmaria que precede uma tempestade aterradora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...