— Eu... não deveria gostar dele...
— Não. Não é por isso que você me deve desculpas. — Naiara balançou a cabeça de forma imperceptível. — O seu erro comigo foi ter escondido isso. Foi ter tomado decisões sozinha e deixado que isso corroesse a nossa irmandade em silêncio.
— Você deveria ter me contado e ouvido o que eu tinha a dizer.
Isadora a encarou: — E o que você...
Naiara ergueu os olhos, deixando transparecer um fio de desapontamento.
— O que eu diria?
— Você... gosta dele?
Gostar dele?
— Engraçado, parece que todo mundo tem me feito essa mesma pergunta.
Só agora Naiara percebia que aquele era o segredo mais mal guardado do mundo.
A única cega na história era ela mesma.
— Gosto. — A expressão de Naiara tornou-se cirúrgica e séria. — Gosto dele do mesmo jeito que gosto de você, do Fábio, da Felícia, dos meus padrinhos. Nunca passou pela minha cabeça ter qualquer outro tipo de relação com ele. Nunca.
— Essa resposta serve para você?
Isadora parecia cética.
— Um homem como ele... é quase impossível não se apaixonar.
— Isso é o que vocês pensam, não eu. — Naiara sentiu o ar faltar nos pulmões por um instante. — Eu o admiro profundamente. Posso até dizer que o reverencio, porque ele é mais capaz e muito mais sábio do que eu.
— Eu digo a mim mesma o tempo todo que ele é o padrão que eu devo seguir. Que eu preciso me tornar alguém como ele, que vou alcançar o topo pelo meu próprio esforço!
— Eu nunca mais vou permitir que a minha vida seja ditada por romances baratos, nem vou me perder em ilusões amorosas. Vou manter a minha mente absolutamente lúcida, sabendo exatamente o que faço todos os dias e qual é o meu objetivo final!
— Vocês têm famílias estruturadas, pais que construíram impérios para vocês. Eu não tenho nada.
— Não tenho família para me mimar, não tenho irmãos. Eu só tenho a mim mesma. Os meus três anos de casamento com o Carlos me ensinaram a pior das lições: neste mundo, ninguém é confiável. A única pessoa em quem eu posso me apoiar sou eu mesma!
Os olhos escuros de Naiara brilharam com a umidade, as lágrimas ameaçando cair, mas sendo contidas à força.
Isadora a observou com um nó na garganta. Abriu a boca, mas as palavras simplesmente sumiram.
— Naiara...
Agora percebia que não era apenas profissionalmente que estava a anos-luz de distância de Naiara...
— Eu entendo a sua frustração emocional, mas você não deveria ter tratado o Fábio daquele jeito.
Isadora baixou a cabeça, humilhada.
— Ele sabia do meu segredo. Eu ficava em pânico achando que ele contaria para vocês e me faria passar vergonha, por isso eu...
— O Fábio não é esse tipo de homem. Ele pode ser debochado, mas é maduro e extremamente perspicaz.
Naiara falou com uma firmeza inabalável.
— Eu o conheço melhor do que ninguém. Se não fosse assim, não teria lutado lado a lado com ele por todos esses anos, nem pensaria em entregar o controle do Grupo Jasmim nas mãos dele.
Isadora murmurou: — Eu sei... Fui paranoica.
— Isadora.
O aperto no peito de Naiara era sufocante. Ela precisava sair dali, precisava de ar.
Mas ainda havia coisas que precisavam ser ditas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...