Ao ouvir a sentença, Clara desmaiou na hora.
Naiara também levou um pequeno susto.
Mas rapidamente recuperou sua expressão impassível.
Como diz o ditado, não se governa um império com compaixão. Sem pulso firme, como um homem tão jovem conseguiria manter de pé a casa de eventos número um de Rio Belo?
Ainda mais em um lugar como aquele, onde circulava todo tipo de escória.
Uma gestão rigorosa era a base de tudo.
Por isso, quando o segurança puxou um punhal e se preparou para agir, Naiara sequer piscou.
Foi Afonso, no entanto, quem de repente se virou e ficou de frente para ela.
Bloqueando completamente a sua visão.
— Não é bom que você veja isso.
Naiara questionou:
— Por que não?
Afonso respondeu com suavidade:
— Pode assustar o bebê.
Naiara retrucou:
— Meu bebê não vai ser tão medroso assim.
De repente, alguém invadiu a sala correndo, gritando a plenos pulmões:
— Parem!
Aquela voz...
Naiara esticou a cabeça por cima do ombro de Afonso.
Era realmente uma velha conhecida.
Zuleica também pareceu surpresa no momento em que viu Naiara.
Mas, sem tempo para colocar o papo em dia, apressou-se em implorar pela garota que estava desmaiada de terror.
— Chefe! Por favor, poupe-a desta vez.
Zuleica havia corrido até ali e ainda estava ofegante.
Os olhos escuros de Cícero a avaliaram.
— Zuleica?
— Sim, sou eu. É uma honra que o chefe se lembre do meu nome.
— É claro que me lembro. — Um sorriso quase imperceptível surgiu nos lábios de Cícero. — Embora seja uma anfitriã do nosso Clube Exclusivo, você é propriedade privada de Carlos Lucca. Aquele Sr. Carlos gastou uma fortuna aqui dentro por sua causa.
As palavras soaram ásperas.
Mas, para Zuleica, aquilo já não significava nada.
Cícero cruzou as pernas de forma despojada, esfregando o anel no dedo médio.
— As regras não podem ser quebradas, mas ninguém disse que não podem ser substituídas.
O recado era mais do que claro.
Zuleica paralisou por alguns segundos.
— O que foi? Faltou coragem? Pelo visto, o amor de irmãs não passa disso.
Zuleica levantou-se lentamente e seu olhar pousou sobre Naiara.
Havia, naqueles olhos, uma espécie de expectativa silenciosa.
Ela bateu nas calças para limpar uma poeira imaginária, ajeitou as roupas e disse com o semblante tranquilo:
— Eu queria muito salvá-la, mas não vou sacrificar a minha própria vida para isso. Tenho uma irmã deficiente que precisa de mim para sobreviver. As minhas mãos ainda são úteis.
Assim que ela terminou de falar, a garota no chão se mexeu e acordou.
A primeira coisa que fez ao abrir os olhos foi olhar para as próprias mãos. Ao ver que ainda estavam lá, ficou eufórica.
A segunda coisa que viu foi Zuleica.
— Zuleica! Me salva! O chefe quer cortar a minha mão! Me ajuda, por favor, eu nunca mais faço isso!
Zuleica suspirou pesadamente.
— Eu te avisei antes. Já que escolheu entrar por aquela porta, não devia mais se achar uma princesa de sangue azul. Aqui dentro, ninguém liga para a sua dignidade, e ninguém vai ter pena de você.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...