Wilson entrelaçou as mãos. Pela primeira vez, transparecia a culpa e o amor genuíno de um pai por sua filha.
— Case-se com a Adriana.
O canto da boca de Carlos curvou-se em um sorriso.
Um sorriso cínico, cruel.
Wilson leu perfeitamente aquele olhar.
Mas agora ele não passava de um homem condenado em seus últimos estertores. A única coisa que lhe restava era apostar todo o patrimônio restante da família Fontana em uma última jogada.
Seria também a última coisa que faria por Adriana.
— O Grupo Fontana caiu, mas minha rede de contatos e minha infraestrutura ainda existem. Com a sua capacidade, você pode reerguer o negócio sob outro nome. Em pouco tempo, o setor de logística estará na palma da sua mão.
— Com isso, você poderá integrar as novas inovações da Tecnologia Vitalis no setor logístico. Uma união de gigantes. No futuro, você será dono de metade de Rio Belo.
— Carlos, não acredito que essa oferta não te interesse.
É claro que a oferta interessava.
Apenas que, do início ao fim, ele nunca tivera a menor intenção de se casar com Adriana.
Antes, fora por causa da pressão de Franciely. Ele não tivera escolha a não ser ceder.
Mas e agora...
— Vou pensar no assunto.
Se casar com Adriana lhe trouxesse lucros gigantescos, era algo a se considerar.
Wilson pareceu soltar o ar, aliviado.
— Me dê uma resposta logo. Você sabe, o meu tempo está acabando.
— Certo.
Carlos fez uma pausa de poucos segundos.
— Tem ideia de quem foi?
— Quem armou para mim?
— Isso.
O rosto de Wilson cobriu-se de ódio.
— Não sei, mas tem peixe grande envolvido. Uma pessoa comum jamais conseguiria ter acesso àquelas provas.
Carlos não desistia:
— Quem é o principal suspeito?
Wilson refletiu por um momento.
Com uma feição rígida, Carlos continuou em silêncio.
— Carlos. — Ao vê-lo dar meia-volta, Wilson o chamou. — Em consideração à ajuda que te dei para colocar as mãos na herança da família Lucca, peço que, se a Adriana cometer algum erro, pegue leve com ela.
Carlos murmurou um sim, ríspido e apressado.
Pouco depois de sair, Karina ligou.
— Carlos, não sei o que deu no César, não para de chorar! Volte para casa, rápido!
Tratando-se de César Lucca, Carlos não brincava em serviço.
O que o tirava do sério era ver que a mãe, da mesma forma que agia ao lado de Franciely, escandalizava e gritava por qualquer coisinha.
— Não sabe levá-lo ao hospital? Por acaso eu sou médico?
Só então Karina raciocinou.
— Tem razão. A Adriana e eu vamos levar o menino para o hospital agora. Vá para lá você também.
Carlos chegou às pressas ao hospital.
O médico já havia finalizado os exames.
Os resultados indicavam que estava tudo normal.
O médico concluiu que o bebê fora apenas vítima de um grande susto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...