Durante todo o trajeto, o rosto da Profa. Alves transbordava orgulho.
Sempre que esbarrava com outros professores, ela fazia questão de parar e cumprimentá-los.
Na verdade... era apenas uma desculpa para exibir sua aluna prodígio.
Naiara sentiu que a caminhada pelos corredores foi longa demais, suas bochechas já estavam coradas de vergonha. Quando finalmente chegaram à sala da professora, ela soltou um suspiro de alívio.
A Profa. Alves serviu um copo de água para Naiara.
— E então? Como foram esses últimos anos? Sendo a nora de uma família tão rica, você não acabou abandonando a sua profissão, não é?
Naiara deu um sorriso contido.
— A senhora melhor do que ninguém sabe se eu abandonei ou não. Afinal, toda vez que esbarro em um problema complexo, venho até aqui incomodá-la.
A Profa. Alves sorriu, visivelmente satisfeita.
— Naquela época, a universidade ofereceu a você a chance de ir para o exterior continuar seus estudos e se especializar, mas você teimou em recusar. Até hoje não entendo o que se passava na sua cabeça. Era uma oportunidade que milhares de alunos imploravam para ter! Mensalidade totalmente isenta, além de uma bolsa generosa para o custo de vida. Me diga, já se arrependeu?
Naiara sorriu com doçura, mas com a firmeza de sempre.
— Não me arrependo. Ficar no país também me permitiu aprender muito, e além disso...
Ela fez uma pausa, o tom ganhando um toque de humor.
— Eu sempre achei que parecia um milagre bom demais para ser verdade. Mensalidade paga e ainda por cima dinheiro para me sustentar? Naquela época, eu tinha certeza de que a minha sorte não era grande o suficiente para ganhar um prêmio desses.
Ao ouvir isso, o coração da Profa. Alves apertou de pena. Ela conhecia muito bem a atitude de Luciana em relação a Naiara.
Com um suspiro pesado, a professora desabafou:
— Você é uma garota de ouro. Qualquer outra pessoa que tivesse uma filha tão brilhante acordaria sorrindo todos os dias. Mas logo você teve que dar o azar de cair nas mãos daquela mãe adotiva...
Relembrar o passado já não despertava grandes emoções em Naiara. Seu tom permaneceu plácido.
— Tudo isso já passou. Hoje em dia, eu vivo muito bem.
— Se você está bem, então a sua professora aqui pode ficar em paz.
Naiara olhou para a professora com profunda gratidão.
— Profa. Alves, muito obrigada.
Sem ter a quem recorrer, Naiara revelou tudo.
No início, ela achou que falar sobre o assunto apenas aliviaria o peso em seu peito. Mas, alguns dias depois, a Profa. Alves trouxe uma notícia inacreditável.
Como Naiara havia sido a campeã de um torneio importante de programação, a universidade havia decidido conceder a ela um prêmio de mérito excepcional.
O valor: cem mil reais.
Na época, Naiara ficou chocada com a quantia. Era difícil acreditar que a instituição pagaria um prêmio tão alto. Mas a Profa. Alves garantiu que havia explicado a situação da aluna à reitoria e lutado por aquele dinheiro.
Aquela quantia foi como água no deserto.
Deu a Naiara a independência e a força necessárias para bater de frente com Luciana.
Sempre que se lembrava disso, a gratidão que sentia pela Profa. Alves transbordava.
No entanto, neste momento, a expressão da professora tornou-se repentinamente embaraçada.
— Naiara... tem uma coisa que, na verdade, eu nunca te contei.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...