— Mesmo que tivesse pego uma doença, ela iria para a ginecologia. Por que estaria na obstetrícia? — Adriana questionou, desconfiada.
Vitória olhou mais uma vez para a tela do celular, frustrada.
Havia mandado várias mensagens para Afonso, e ele não respondera sequer uma.
Que homem arrogante e inacessível.
— Cunhada, você já falou com o meu irmão sobre aquilo?
Adriana estava distraída.
— Falei o quê?
— Ah, como assim o quê? Você esqueceu?
Adriana desviou o olhar de Naiara e finalmente se lembrou.
— Eu já falei com ele. Tentei interceder por você.
— E aí? Ele concordou em não me mandar para o exterior?
Adriana tentou acalmá-la, usando seu habitual tom doce e pacificador.
— Vitória, na verdade, acho que o seu irmão não está errado. O atropelamento ainda não foi totalmente abafado e resolvido. É melhor você passar um tempo fora do país por segurança. Quando as coisas esfriarem e a poeira baixar, você volta. Não tem pressa.
Os olhos de Vitória se encheram de decepção.
— Cunhada, quer dizer que, depois de tudo, você ficou do lado do meu irmão?
Adriana continuou com paciência, adotando sua fachada de boa moça.
— Não é que eu esteja do lado dele. É que acredito que ele está fazendo isso para o seu próprio bem. Ele tem medo de que, se alguém investigar e descobrir a verdade, o resto da sua vida estará arruinado.
— E quem vai investigar? Não tinha câmera de segurança, nem testemunhas, nem provas materiais. Como alguém vai descobrir? Só se for um fantasma!
— É só por precaução, Vitória. Ninguém quer que algo de ruim aconteça com você.
— Ah, corta essa — Vitória rebateu, perdendo a paciência. — Que "para o meu bem" o quê? Você só está inventando desculpas porque não conseguiu convencer o meu irmão.
Adriana estremeceu, sentindo uma pontada de desconforto no peito.
A atitude de Carlos havia mudado. Ele estava frio, distante e evasivo.
Ele parecia estar ali, mas ao mesmo tempo não estava.
Aquela sensação era agonizante e difícil de engolir.
Vitória deu as costas e saiu batendo o pé, irritada.
Adriana não tinha forças nem paciência para ir atrás dela e consolá-la. Em vez disso, virou-se e caminhou em direção à obstetrícia.
Ela abriu a porta do consultório médico sem bater.
A médica ergueu os olhos, visivelmente insatisfeita.
— Não está vendo que tem gente aqui dentro? Saia e espere chamarem o seu nome.
Adriana ignorou a repreensão e perguntou, com a urgência transbordando na voz:
— Aquela paciente que acabou de sair, a Naiara... ela está grávida?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...