A respiração de Naiara falhou e o sangue em suas veias pareceu congelar.
O grupo correu de volta o mais rápido que pôde.
Felícia estava parada no térreo do prédio, rodando de um lado para o outro, agoniada.
Ao ver o carro deles, correu desesperadamente, com o rosto encharcado de lágrimas, o nariz escorrendo e a voz rouca.
Em nenhum momento Naiara pensou em culpar Felícia.
Porque Felícia sabia o lugar de extrema importância que sua mãe ocupava no coração de Naiara. Ela cuidava de Miriam com mais dedicação do que cuidava de si mesma.
Definitivamente, não havia sido de propósito.
Embora ansiosa, Naiara sentiu uma enorme pena ao ver o estado de Felícia, e tentou consolá-la.
— Felícia, não se desespere. Acalme-se primeiro e nos conte o que aconteceu.
Felícia estava com os olhos vermelhos.
— Depois que vocês saíram, a senhora ficou andando de um lado para o outro na casa por um bom tempo. Pensei que, por estar em um ambiente desconhecido, ela ainda não estava acostumada, então fiquei ao lado dela o tempo todo.
— Depois, ela se cansou de andar, comeu um pouco e voltou para o quarto.
— Eu mesma a acompanhei até lá e vi com meus próprios olhos que ela se deitou para dormir. Então saí para dar uma arrumada na cozinha.
— Mas quem diria... Quando terminei e fui ao quarto checar como ela estava, ela simplesmente havia sumido.
— Senhorita! — Felícia estava consumida pela culpa. — Foi pura negligência dessa velha. Me perdoe!
Naiara a confortou gentilmente.
— Felícia, você não fez nada de errado, não precisa se desculpar. Além disso, tenho certeza de que a minha mãe não vai se perder.
Isadora também deu um passo à frente para consolar a mulher.
— Isso mesmo, Felícia. Não precisa entrar em pânico. Vamos procurá-la agora mesmo. Com certeza vamos encontrá-la rapidinho.
Afonso, sempre calmo, assumiu o controle da situação.
— Fábio, você e a Isadora vão até a administração do condomínio para olhar as câmeras de segurança e verificar em qual direção a senhora Miriam foi.
— Felícia, você volta para o apartamento e espera. Se ela voltar, nos ligue imediatamente.
— Quanto a mim e a Naiara, vamos procurar pelas redondezas. Todos devem se manter em contato constante.
Meia hora depois.
Não encontraram nada.
A pálpebra de Naiara começou a tremer incontrolavelmente, e um aperto de inquietação cresceu no seu peito.
— Afonso, será que a minha mãe...
Afonso segurou os ombros dela com firmeza.
— Não diga isso... Ela não vai...
A atmosfera dentro do carro estava tão sufocante que mal dava para respirar.
Isadora também estava com o coração apertado.
Acreditavam que a poeira já havia baixado, que Naiara havia reencontrado a mãe biológica e se libertado definitivamente de todas as pessoas e situações problemáticas.
Na semana seguinte, ela começaria a trabalhar na empresa de Afonso.
Tudo caminhava para a esperança e para a felicidade.
Como, de repente, as coisas...?
Isadora não pôde deixar de lamentar a impermanência do destino. Eram todos como formigas, presos firmemente nas mãos da vida, sem poder de escolha ou resistência.
Restava apenas aceitar passivamente o que o destino lhes impunha.
Incapaz de se conter, Isadora tentou confortá-la.
— Naiara, tenho certeza de que ela vai ficar bem. Sua mãe é forte, ela sobreviveu a tantos anos difíceis, vai superar isso também.
Fábio quis dizer alguma coisa, mas sabia que qualquer palavra de consolo naquele instante seria inútil.
Ele tocou levemente em Isadora, sinalizando para que não dissesse mais nada.
Quando Naiara chegou ao hospital, ouviu os alto-falantes chamando um "Código 999" atrás do outro.
O pânico tomou conta dela, fazendo com que suas pernas simplesmente se recusassem a obedecer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...