— Vá descansar por hoje. Amanhã nós vamos até lá, não há problema em esperar um pouco mais. Considerando a situação, eu garanto cem por cento que a sua mãe está segura e nada vai acontecer a ela.
Naiara balançou a cabeça em negativa.
— Se eu não for até lá hoje, não vou conseguir fechar os olhos à noite. É melhor resolver isso logo. Só de vê-la com meus próprios olhos, sabendo que ela está sã e salva, meu coração ficará em paz, não importa o quão exausta eu esteja.
— Mas e o seu...
Sabendo exatamente o que ele ia dizer, Naiara repousou a mão sobre o próprio ventre.
— Acho que ele sentiu que a minha vida tem sido difícil esses dias, então o bebê não me deu muito trabalho ultimamente. E tenho tomado certinho os remédios que o médico receitou, deve ficar tudo bem.
— Mesmo assim...
— Afonso — Naiara se encostou no banco, tombando a cabeça com um tom dengoso, quase infantil. — Me deixa ir, vai.
Afonso foi sumariamente derrotado por aquele olhar límpido e cheio de expectativa.
— Tudo bem, eu vou com você. Mas antes disso, a nossa prioridade é encher esse estômago.
Com medo de que Naiara protestasse, ele adicionou:
— Faça isso pelo bebê, pelo menos.
Ela assentiu com docilidade.
— Fechado. A gente come e pega a estrada direto.
O "tudo bem" tão compreensivo de Afonso fez um sentimento de culpa brotar em Naiara.
Na noite passada, ela conseguira ter uma noite decente de sono.
Mas a qualidade do sono de Afonso devia ter sido péssima, sem contar que ele dirigiu sozinho no trajeto de volta a Rio Belo.
Ela simplesmente não conseguia ser tão egoísta.
— Pensando bem, por que você não vai para casa descansar? Eu posso ir sozinha. Não quero ficar te arrastando de um lado pro outro nessas minhas confusões.
Afonso exibiu um sorriso contido.
— Eu também gostaria de conhecer a sua mãe. Você bem que poderia me conceder essa honra.
Naiara sorriu de volta.
— Certo. Mas antes, o jantar é por minha conta, combinado?
— Aceito — respondeu ele prontamente.
O tão falado "banquete" era, na verdade, um restaurante boutique bastante charmoso.
Especializado em culinária do Sudeste Asiático.
A decoração refletia fortemente a atmosfera e os elementos tropicais daquela região.
Por ser um dia de semana, não havia muita lotação, mas o ambiente aconchegante e sofisticado mantinha um bom fluxo de clientes fiéis.
— Esqueci de pegar o ticket do estacionamento. Me espera um segundinho.
Antes que Afonso pudesse abrir a boca, Naiara virou-se bruscamente nos calcanhares.
Sem perceber, ela quase tromba de frente com um garçom que carregava uma bandeja pesada. Em um reflexo ultrarrápido, Afonso a puxou pelo braço.
A força do puxão, no entanto, foi mal calculada.
Naiara bateu a testa bem no osso do nariz de Afonso.
Ele soltou um gemido abafado de dor.
Instintivamente, Naiara ergueu a mão para checar o nariz dele.
— Meu Deus, você está bem? Não quebrei nada, né? A culpa foi toda minha, que desastrada.
Afonso soltou uma risada grave e contida.
— Não se preocupe. O meu é de verdade.
Naiara também caiu na gargalhada.
— Ainda bem que é natural! Senão o prejuízo ia ser enorme.
A cena dos dois rindo juntos, trocando olhares cumplices, parecia exatamente a imagem de um casal perfeitamente apaixonado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...