Naiara sentiu como se uma bomba tivesse explodido em sua mente. Logo em seguida, o mundo girou violentamente, e ela quase caiu de cara no chão. Agarrou-se com força à beirada do móvel, tentando estabilizar o corpo que tremia incontrolavelmente.
Como assim?!
Como isso era possível?!
Ontem ele estava tão bem!
Os médicos disseram que a recuperação estava superando as expectativas e que, com os devidos cuidados, ele voltaria a ter uma vida normal. Ela até havia prometido que passaria o dia inteiro com ele amanhã. Ela planejava trazê-lo para morar com ela por um tempo...
O corpo de Thiago já havia sido transferido para a casa funerária. Naiara correu como louca até o salão de velório. Assim que Luciana a viu entrar, avançou e desferiu um tapa estalado em seu rosto. Mas Naiara já estava dormente; não sentiu a ardência na pele. O lugar que doía, uma dor dilacerante, era o seu coração.
As pernas de Naiara pareciam pesar toneladas. Era como se estivesse presa em um pesadelo: tudo ao seu redor parecia etéreo, falso, irreal. Com as mãos trêmulas, ela tentou tocar o rosto pálido e sem vida sob a tampa de vidro do caixão. O pai jazia ali, imóvel e gélido, com os olhos fortemente cerrados, como se partisse carregando um profundo arrependimento não resolvido. Naiara agarrou o tecido da própria roupa na altura do peito. O ar não chegava aos pulmões.
Não!
O pai não estava morto!
Isso era impossível!
Era um pesadelo! Só podia ser um pesadelo!
As lágrimas de Naiara começaram a cair ininterruptamente, como um colar de pérolas arrebentado. Desesperada, ela tentou abrir a tampa de vidro do caixão. Luciana começou a gritar ao seu lado.
— Naiara! Você quer que o seu pai não tenha paz nem na hora da morte?!
Naiara paralisou instantaneamente. Virou-se de forma brusca, recusando-se a aceitar a realidade.
— Mentira! Meu pai estava ótimo! Como ele poderia ter morrido do nada?! Vocês estão mentindo para mim!
Pedro, abandonando sua usual postura de vagabundo, exibia um rosto marcado pela dor.
— Luciana! Você é a assassina!
O rosto de Luciana endureceu no mesmo segundo. Imediatamente, com os dentes trincados, ela avançou e agarrou Naiara pelos cabelos. Sua expressão era tão selvagem que parecia prestes a devorá-la viva.
— Quem você pensa que é para me chamar de Luciana?! Sua filha ingrata e amaldiçoada! Finge ser uma boa filha na frente dos outros, mas por dentro é podre.
Luciana puxou o cabelo de Naiara com mais força, cuspindo as palavras:
— Ontem nós te ligamos dezenas de vezes. Por que você não atendeu a porcaria do telefone?! O seu pai partiu sem conseguir te ver pela última vez. Ele morreu sem conseguir fechar os olhos em paz por sua causa! E você ainda tem a cara de pau de vir aqui apontar o dedo e desconfiar de todo mundo?! Para mim, a verdadeira assassina do seu pai é você!
*Última vez...*
*Sem fechar os olhos em paz...*
Essas palavras foram o golpe final que estilhaçou o que restava de Naiara. Suas pernas cederam, sem mais forças para sustentá-la, e ela desabou no chão. As lágrimas embaçaram completamente a sua visão, deixando o mundo ao seu redor num vazio escuro e insuportável.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...