Entrar Via

Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 182

Afonso havia aprendido a arte de servir chá com a mãe. Patrícia era uma mulher gentil, elegante e de alma pura. Já Henrique tinha um temperamento muito mais extremista e radical. Por isso, sempre que pai e filho entravam em conflito, era Patrícia quem intervia para apaziguar os ânimos. Como os dois homens a amavam profundamente — um como marido, o outro como filho —, sempre acabavam cedendo. Com o tempo, a relação entre os dois havia se tornado mais harmoniosa. Mas, desde a partida de Patrícia, parecia que tudo havia voltado à estaca zero.

Afonso preparou o chá com movimentos fluidos e experientes. Henrique, sentado à cabeceira da mesa, o observava de soslaio.

— Se o Wilson ousou tentar algo contra você, mesmo que morresse, já iria tarde. Não me importo com o que você faça para acabar com ele. Onde já se viu ter a audácia de mexer com o filho de Henrique Xavier! O único problema... é que parece que você não fez isso apenas por si mesmo.

Afonso baixou levemente os olhos, a expressão impassível. Seus dedos longos seguraram a xícara e a deslizaram com calma e precisão para a frente de Henrique. O patriarca deu um pequeno gole.

— É, a sua técnica com o chá não piorou.

Com o mesmo tom sereno, Afonso perguntou:

— O senhor mandou investigá-la?

— Digamos que me informei um pouco.

— O senhor parece muito interessado nas pessoas ao meu redor.

Henrique deu uma risada seca e fria.

— Não tenho o menor interesse nas pessoas ao seu redor. Mas tenho muito interesse nas pessoas que se aproximam de você com segundas intenções.

Os dedos de Afonso pararam por uma fração de segundo.

— Então os investigadores que o senhor contratou são péssimos profissionais.

— Ah, é?

— Ela não tem o menor interesse em mim. E eu também não tenho nenhum tipo de intenção romântica com ela.

Henrique claramente não acreditou.

— Você nunca se dedicou tanto a uma mulher antes. Chegou ao ponto de acelerar a compra de terrenos por causa dela, pediu favores ao seu tio Leonardo e usou a sua influência política e comercial.

Afonso encarou o pai com firmeza.

— A minha Nuvem Pioneira precisa dela.

Sim, ele tinha obrigações com a família Xavier e uma promessa a cumprir com a mãe. Não podia simplesmente ignorar nenhuma das duas.

O carro fez uma curva e parou na frente de um dos edifícios. Uma figura familiar apareceu sob a luz dos postes. Era Felícia. Ela descia as escadas segurando um saco de lixo, com o braço machucado ainda na tipoia. Afonso hesitou se deveria ou não sair para cumprimentá-la. Ele não podia garantir que, se descesse do carro agora, teria força de vontade suficiente para não entrar naquele prédio e ir ver a pessoa que realmente estava ferida.

...

Como Wilson havia demonstrado bom comportamento e pago rapidamente todos os impostos sonegados, acabou recebendo clemência da justiça e foi liberado.

Adriana, que mal se importava mais com o bebê no hospital, correu de volta para a casa dos pais.

Assim que viu Wilson, jogou-se em seus braços.

— Pai! Que susto o senhor me deu! Achei que nunca mais fosse sair de lá.

O rosto de Wilson estava abatido, e uma aura pesada e gélida o cercava.

— Eu achava que aquele tal de Fábio não era grande coisa e não representava uma ameaça real. Mas eu não imaginava que aquela mulher tivesse alguém muito mais poderoso agindo pelas costas dela.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê