O sorriso de Zuleica retornou, muito sutil.
— No fundo, você não ama tanto assim a Srta. Adriana.
Carlos não respondeu, mas também não negou.
— Você também vai dizer que eu só amo a mim mesmo? — perguntou ele.
Zuleica pareceu surpresa.
— Também?
— Ela também já me disse exatamente a mesma coisa.
— A sua esposa?
— Sim.
Zuleica deu uma risadinha suave.
— Na verdade, a sua esposa te conhece muito bem.
Carlos lançou-lhe um olhar oblíquo, com um sorriso que carregava um aviso de perigo.
— Você está me insultando?
Zuleica não demonstrou medo algum.
— Não, estou apenas dizendo a verdade. Você mesmo disse que espera que todas as nossas conversas sejam honestas e venham do fundo do coração.
Ele parou para pensar.
Realmente se lembrava de ter dito algo assim.
A maioria das interações humanas estava coberta por máscaras de hipocrisia.
Devido à sua posição, pouquíssimos tinham a coragem de lhe dizer a verdade.
Até mesmo seus assistentes mais próximos às vezes pisavam em ovos e lhe diziam apenas o que ele queria ouvir.
Apenas aquela mulher à sua frente sempre lhe dizia a verdade nua e crua.
Por isso, Carlos não ficou bravo.
— Antes, eu achava que a sua aparência se assemelhava um pouco à da Adriana. Só agora percebi que, por dentro, você é ainda mais parecida com ela.
Zuleica abriu um sorriso encantador.
— Você mudou.
— Eu mudei?
— Sim. Você mudou. Começou a se importar com a sua esposa.
Carlos ficou paralisado por uma fração de segundo.
— No passado, você sequer olhava para ela, muito menos prestava atenção nela — completou Zuleica.
Ele ficou em silêncio por um longo momento. Depois, inclinou a cabeça para trás e virou o copo de bebida de uma só vez.
Não!
Ele não havia mudado.
Era apenas porque aquela mulher andava causando tanto alvoroço ultimamente que ele fora forçado a notá-la.
Dois dias depois.
— Não precisa retribuir nada.
— Não! Eu faço questão. Não posso ficar em dívida com você para sempre.
Ela soava teimosa como uma garotinha.
Afonso não pôde deixar de sorrir.
— Está bem. O que a deixar mais feliz.
À tarde.
Thiago foi transferido para um quarto comum.
Mas não era tão comum assim.
Era um quarto individual luxuoso.
Ele estava deitado na cama, com o olhar um tanto vazio.
Luciana usava um cotonete para umedecer lentamente os lábios ressecados dele.
Naiara realmente não conseguia decifrar quanto amor Luciana tinha pelo marido.
Quando a viu entrar, Luciana apenas lançou-lhe um olhar frio de canto de olho, sem dizer nada.
Assim que Naiara se aproximou da cama, Thiago tirou a mão debaixo do lençol.
Naiara a segurou imediatamente e murmurou com suavidade:
— Pai.
Ele assentiu, a voz saindo extremamente rouca.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...