Ícaro atendeu sem hesitar, e Glaucia soube que ele também devia ter várias chamadas perdidas.
Do outro lado, Tatiana Castro suspirou profundamente:
— Ícaro, finalmente atenderam. Você está com Glaucia agora? Já desembarcaram?
— Aconteceu alguma coisa? É a minha mãe? — Glaucia, já suspeitando de algo, foi direto ao ponto.
Após um breve silêncio, Tatiana Castro disse:
— Sim. Mas não se preocupe. A situação já está estabilizada. Venham para o hospital primeiro. Plínio já foi buscá-los no aeroporto.
Glaucia correu para fora e logo viu o carro da família.
Assim que entrou, Glaucia perguntou a Plínio com urgência:
— O que aconteceu hoje? Como está minha mãe?
Plínio respondeu:
— Srta. Glaucia, é sobre o seu pai. Não sei quem vazou a situação do Sr. Benito para a Sra. Isaura. Ela desabou ao ouvir a notícia e fugiu do hospital escondida dos cuidadores. Felizmente, não foi longe antes de ser encontrada pela equipe médica. Agora, já está de volta ao quarto. Mas ela teve um colapso emocional e chora muito. A senhora Tatiana e os outros estão lá. A Sra. Monteiro também foi. Ninguém consegue acalmá-la.
Glaucia sabia que o segredo sobre Benito Mota não duraria muito, mas não esperava que fosse descoberto tão rápido.
Sentiu um calafrio nas mãos. Não sabia como enfrentar os questionamentos de Isaura.
O colapso de Isaura a deixava angustiada, mas, por um lado, era o pedido de seu pai, e por outro...
Percebendo a ansiedade de Glaucia, Ícaro segurou sua mão com força:
— Estou aqui, Glaucia. Vou ajudá-la a explicar para sua mãe. Não fique tão ansiosa. Talvez não seja algo ruim para ela. Ela e seu pai deveriam se reunir.
Glaucia sentiu um calor evidente nas palavras de Ícaro e assentiu levemente.
Era verdade. Era melhor que soubesse. Assim, ela não precisaria ligar para os dois lados tentando esconder. Poderia usar essa chance para trazer Benito Mota de volta à Capital.
No entanto...
Ela havia organizado tudo perfeitamente. Todos que tinham acesso a Isaura foram alertados pela família Marques. Ninguém ousaria vazar a condição de Benito Mota, a menos que tivesse segundas intenções.
Fosse quem fosse, ela não perdoaria quem manipulasse Isaura.
Ao ver Glaucia, sua emoção aumentou repentinamente. Ela esbravejou com raiva:
— Você... Glaucia, como você é dona de si agora. É divertido me manter no escuro? Você... cof, cof, cof...
Ela começou a tossir violentamente. Clarinda rapidamente acariciou suas costas e tentou consolá-la:
— Senhora, não culpe inteiramente Glaucia. Essa foi a vontade do mestre. Ele tinha medo de que a senhora sofresse ao vê-lo assim, por isso queria colocar as próteses antes de encontrá-la. Ele estava mais ansioso do que qualquer um. Para vê-la logo, até recusou o tratamento e quis colocar as próteses direto. Não foi fácil para Glaucia. Ela teve que respeitar a vontade dele e, ao mesmo tempo, se preocupar com sua saúde. Se ela não o tivesse impedido de agir de forma imprudente, ele teria ficado com sequelas muito piores.
Ela falava em voz baixa sobre as dificuldades de Glaucia.
A tosse de Isaura diminuiu, mas seu olhar continuava fuzilando Glaucia.
Como ela não saberia de tudo o que Clarinda dizia?
Mas ainda estava furiosa. Com raiva de Glaucia por ter mentido e por não entendê-la.
— Mãe, eu...
— Glaucia, eu sou tão inútil aos seus olhos? Sim, seu pai está daquele jeito e é difícil aceitar. Dói. Mas não importa o que aconteça, ele está vivo.

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