— Existe algo mais importante do que estar vivo? Eu ainda não perdi a razão. Eu entendo isso. Eu sou a esposa dele. Em uma situação dessas, eu deveria estar ao lado dele, não ser enganada por você a pedido dele. Glaucia, para você e seu pai, o que eu sou?
— Eu...
Glaucia ficou sem palavras diante das perguntas de Isaura.
Benito Mota achava que Isaura era frágil e não queria preocupá-la.
Ela simplesmente cedeu à vontade dele, sem considerar os sentimentos de Isaura.
Afinal, a pessoa com mais direito de saber a verdade era Isaura.
A escolha inicial de Glaucia estava errada. Em vez de ajudar Benito a enganar a mãe, ela deveria ter contado a verdade para Isaura e deixado que ela tomasse a decisão.
Nenhum deles deveria ter tirado o direito dela à informação sem o seu consentimento, só porque ela estava doente.
— Me desculpe, mãe. Eu fui tola. — Com os pensamentos no lugar, Glaucia parou de se justificar e se desculpou diretamente.
O humor de Isaura se suavizou muito. Ela perguntou:
— Como ele está agora? Glaucia, não esconda mais nada. Diga-me a verdade.
Glaucia pegou o celular e mostrou os registros de tratamento e exames médicos de Benito Mota. Ela disse:
— O quadro do papai é estável. Seguindo o plano do Dr. César, para obter o melhor resultado com as próteses, ele precisa descansar por um período. Levará pelo menos um ano para concluir tudo. Mas olhe os exames dele, mãe. Ele está super saudável, até mais que você. Ele...
— Traga-o de volta. Deixe-o me ver. — Isaura interrompeu abruptamente.
Os dados dos exames eram como Glaucia descrevera. Tirando a perda dos membros, Benito era mais saudável que Isaura e estava mais apto a fazer uma viagem longa.
Agora que sabia da verdade, não havia necessidade de continuar separada do marido.
Glaucia não hesitou:
— Tudo bem. Vou organizar as coisas e irei buscá-lo pessoalmente assim que amanhecer. Mãe, pode me dizer como descobriu sobre ele?
Ao deparar-se com o olhar frio de Isaura, Glaucia se apressou em explicar:
— Não quis dizer nada demais. Só não quero pessoas mal-intencionadas rondando você.
Isaura então explicou:
— Eu... ouvi de uma faxineira. Hoje à tarde, quando ela veio limpar, perguntou do nada como estava o seu pai. Disse que ele era um grande herói e que era uma pena ele ter perdido os membros. Glaucia, eu não acho que ela fez por mal. Talvez tenha ouvido em algum lugar e só veio expressar compaixão. Não senti maldade, e ela saiu depois de falar algumas palavras.
Sem maldade? Sabia da relação entre eles e ainda por cima encontrou o quarto de Isaura com precisão apenas para dizer isso.
O supervisor disse:
— Srta. Glaucia, aguarde um instante. Vou ligar para a Alzira e perguntar o que aconteceu.
Glaucia não respondeu. Continuou ampliando as imagens. Ao notar as maçãs do rosto levemente altas e o porte esguio, um nome absurdo lhe veio à mente.
Hortência.
Como poderia ser? Hortência não deveria estar fugindo com Tadeu? Como teria tempo de vir à Capital e ir ao quarto de Isaura semear discórdia?
O supervisor retornou após a ligação. Alzira havia tirado folga porque alguém se ofereceu para cobrir seu turno antes de ela sair.
Glaucia solicitou os vídeos dos últimos dias e descobriu que aquela figura semelhante a Hortência rondava as imediações do hospital há três dias.
Ela devia estar esperando uma oportunidade para se aproximar de Isaura abertamente.
Sendo Hortência ou não, Glaucia decidiu registrar o caso na polícia.
Ela copiou o vídeo e contou com a ajuda da polícia para rastrear o paradeiro de Hortência. Ao mesmo tempo, instruiu os seguranças da família Marques a investigarem discretamente as famílias paterna e do ex-marido de Hortência.
Se realmente fosse Hortência que havia retornado, pela inimizade entre elas, a intuição de Glaucia dizia que se tratava de uma vingança. Ela não podia ignorar isso.

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