Benito Mota retornou da Cidade G para a Capital em uma tarde de segunda-feira.
Quando chegou ao hospital onde Isaura estava internada, Glaucia e os outros já o aguardavam.
Isaura, de pé ao lado da filha, esticava o pescoço em expectativa, enquanto seus dedos apertavam firmemente a manga de Glaucia. O nervosismo estava estampado em seu rosto.
No momento em que Benito foi trazido para dentro, Glaucia sentiu as pernas da mãe fraquejarem. Isaura quase caiu, mas tropeçou para a frente na tentativa de alcançá-lo.
Glaucia segurou o braço da mãe e a conduziu até Benito.
No instante em que seus olhos se encontraram, Isaura começou a tremer. As lágrimas romperam a barragem de seus olhos, e ela simplesmente despencou no chão diante dele.
O corredor do hospital foi preenchido por seu choro aterrorizado e de partir o coração.
A equipe médica levou Benito para o quarto, e Isaura os seguiu de perto, sem parar de chorar.
Tatiana Castro e os demais acompanharam a cena, sentindo um gosto amargo na boca.
Eles já tinham ouvido falar por cima sobre o estado de Benito.
Mas ver pessoalmente era diferente. Perceberam que palavras não eram suficientes para descrever a agonia daquela cena.
Era inimaginável como Benito conseguira sobreviver após perder as mãos e os pés e ficar aprisionado por mais de dez anos.
Isaura já chorava até perder o fôlego, mas ninguém ousava se aproximar para consolá-la. Eles não sabiam o que dizer.
— Viu? Eu sabia que você reagiria assim, por isso não deixei a Glaucia contar — Benito falou, com a voz fraca, mas carinhosa. — Eu já estou bem. Não estou aqui inteiro, bem na sua frente? Pronto, não chore mais. Todos estão olhando. Não vire motivo de piada.
Antigamente, Benito era a âncora de Isaura. Ela sempre seguia as palavras dele.
Mas, desta vez, a resposta dela foi carregada de fúria:
— Não me contar? Você acha mesmo que esconder isso de mim foi para o meu bem? Vocês todos me mantiveram no escuro! Eu sou tão pouco confiável assim? Sim, eu me desesperei ao te ver assim de repente. Eu me sinto mal vendo o seu estado, eu choro. Mas acha que eu deixaria de te ver por causa disso? Benito Mota, eu e a Glaucia esperamos por você por mais de dez anos! O que poderia ser mais importante do que ter você de volta?
— Eu... — o desabafo de Isaura atingiu o coração de Benito, fazendo-o sentir uma profunda culpa.
— Me desculpe. A culpa é minha por tomar decisões sozinho, eu...
— Você deveria mesmo se desculpar. Você me subestimou demais — o tom de Isaura esfriou um pouco, ainda voltado para a raiva.
Benito concordou rapidamente:


A inocência da criança derreteu os temores de Benito e encurtou a distância entre eles rapidamente.
Sérgio ficou conversando com ele por meia hora, até que chegou a hora do jantar e Glaucia teve que levá-lo embora.
Aquelas poucas palavras de Sérgio operaram um milagre. Glaucia notou que a tensão no rosto de Isaura diminuiu consideravelmente, tornando sua postura mais serena.
A aceitação e a admiração de Sérgio haviam apagado a pequena mágoa que Isaura sentia no fundo de seu coração a respeito do trabalho do marido.
— Sérgio, quem te ensinou a dizer aquelas coisas hoje? — Glaucia perguntou ao saírem do hospital.
O menino piscou seus grandes olhos, confuso:

— Não. Você não falou nada de errado. A mamãe só não imaginava que você já entendesse tanto sobre essas coisas — Glaucia respondeu com um tom leve e objetivo.
— Mamãe, eu já cresci. Eu sei de muitas coisas — Sérgio retrucou. — Eu também sei que o papai e você vão se casar. Posso ir ao casamento de vocês?
— Claro que pode. Você e a Sófia serão os pajens, o que acha? — Glaucia sugeriu.

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