— Galdino Mendes, se você realmente não sabe das novidades, por que fugiu escondido do Tadeu Pires?
— Você, sendo o braço direito do Vinicius Rodrigues, ainda consegue sobreviver sob as ordens do Tadeu porque guarda um segredo que ele deseja desesperadamente saber.
— Não ousa contar a verdade a ele, com medo de que ele o descarte depois de usá-lo e o elimine primeiro.
— Ao mesmo tempo, essa verdade é uma batata quente nas suas mãos, fazendo com que você viva aterrorizado todos os dias. Estou certo, não estou? — Ícaro Marques limpou a garganta. Com os braços cruzados, sua postura exalava uma calma inabalável, a de alguém que não se importa com as regras e domina o jogo.
Encontrando o olhar afiado de Ícaro, Galdino foi incapaz de formular qualquer refutação.
Ele de fato estava em um dilema terrível. Tinha pavor de que Tadeu o eliminasse assim que não fosse mais útil, então sua única opção era se agarrar àquele segredo.
Mas, se aquele segredo vazasse, também seria o seu fim.
Recentemente, o desgaste mental de Galdino já beirava o limite. Ao perceber que Carlão também suspeitava dele, sua única intenção era encontrar uma brecha para resolver o problema rapidamente. Jamais imaginou que, antes mesmo de colocar seu plano em prática, seria encurralado ali por Glaucia Mota e Ícaro.
— Não pense que terá a chance de apagar os rastros agora. O Carlão já suspeita. Você acha que suas ações passariam despercebidas aos olhos dele?
— Galdino, você não é o mentor dessa história. Se confessar tudo voluntariamente, ainda terá uma chance de sobreviver. Tem certeza de que quer continuar com essa teimosia? — questionou Glaucia, sua voz era gélida, precisa, ocultando o turbilhão interno.
Era óbvio que Galdino sabia a verdade. Sentindo que estava cada vez mais perto de ter notícias de seu pai, o corpo de Glaucia começou a tremer incontrolavelmente. O suor frio quase encharcava suas costas, enquanto um pânico e uma ansiedade avassaladores a engolfavam.
Percebendo a instabilidade dela, Ícaro estendeu a mão e segurou a de Glaucia com firmeza, uma ternura agressiva que a forçou a ancorar suas emoções, acalmando-a um pouco.
As expressões de Galdino oscilavam. Ele parecia hesitar, calcular. Depois de um longo tempo, finalmente disse: — Eu posso contar a vocês, mas terão que chamar a polícia. Quero levar vocês lá junto com a polícia.
A situação no local era, no mínimo, dantesca.
Galdino sabia que aquele homem era o pai de Glaucia. Ele temia que, ao ver a verdade, Glaucia perdesse a cabeça e tirasse sua vida ali mesmo. Num momento como aquele, a presença da polícia era indispensável. Mesmo que algo desse errado, seria considerado que ele havia se entregado voluntariamente.
Quando Vinicius partiu, deixou o peso de seu maior segredo sobre os ombros de Galdino. Sendo um homem sem iniciativa própria, ele já não suportava mais a pressão.
Sem saída, Galdino finalmente optou por ceder.
Ele não confiava em Glaucia. Foi ele próprio quem ligou para a polícia.
Havia diversos recipientes espalhados e equipamentos de ponta. Mas o que mais chocou a todos foi a figura deitada em uma grande cama no centro da sala.
Era difícil chamar aquilo de pessoa; parecia mais um mero fragmento de tronco.
A vítima não tinha mãos nem pés.
Os músculos onde antes ficavam os membros já estavam atrofiados, magros e profundamente afundados, tornando impossível reconhecer sua forma original.
Glaucia deu apenas uma olhada. Sentiu a respiração travar na garganta. Sua visão escureceu e ela quase desabou.
Até mesmo Alexandre, um veterano endurecido por inúmeras batalhas, tremia da cabeça aos pés ao presenciar a cena. Com a voz embargada, ele apenas praguejava sem parar: — Animais! Seus monstros desgraçados! Que bando de monstros!
Clarinda já estava com o rosto banhado em lágrimas. Ela cambaleou e se jogou em direção ao homem na cama: — Mestre! Mestre, sou eu, a Clarinda! Eu finalmente te encontrei. Você ainda lembra de mim? Eu e a Glaucia viemos te buscar.
Foi ao ouvir as palavras de Clarinda que Glaucia começou a recobrar a sanidade. Mas agora, ela não conseguia sequer ficar de pé. Mesmo amparada por Ícaro, não controlava as próprias pernas. Seu corpo inteiro parecia tão rígido quanto o de uma marionete.
Ela havia imaginado inúmeras vezes a cena de reencontrar seu pai.

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