Ela chegou a cogitar que ele pudesse ser apenas um cadáver que nunca mais voltaria para o seu lado.
Ou que ele estivesse definhando, vítima dos experimentos cruéis daquelas pessoas.
Mas, entre todas as suas conjecturas, jamais lhe passou pela cabeça que o pai, a quem ela sempre admirou e via como um herói, teria as mãos e os pés amputados, trancafiado naquele lugar privado da luz do sol.
Glaucia sequer teve coragem de olhar para o rosto dele.
Ela temia que ele tivesse perdido a sanidade, e temia ainda mais que ele ainda a conservasse.
Seu corpo não suportou o peso do luto imensurável, e Glaucia finalmente cedeu, caindo sentada no chão.
Ícaro tinha uma expressão pesada. Ele não tentou levantá-la. Apenas se abaixou ao seu lado, acompanhando-a em um silêncio sólido.
Foi Alexandre quem primeiro se recuperou do choque. Ele fuzilou Galdino com o olhar: — O que diabos significa isso?
Galdino se apressou em explicar: — O Vinicius achava que ele não era obediente o suficiente.
— Como ele sempre tentava fugir, o Vinicius mandou cortar as mãos e os pés dele.
— O Vinicius dizia que ele era a pessoa que mais odiava nesta vida, então forçou métodos para que ele mantivesse a sanidade, para que recebesse todo esse castigo perfeitamente lúcido.
— Senhores policiais, eu não sabia de nada disso! Só quando me tornei o braço direito do Vinicius, há dois anos, foi que ele me revelou esse grande segredo.
— Naquela época, esse homem já estava nesse estado. Eu juro que nunca participei de nada disso!
— Tudo isso foi obra do Vinicius, não tem nada a ver comigo. Eu realmente nunca fiz nada de monstruoso, só tive o azar de descobrir a verdade.
Durante o trajeto até ali, Galdino já havia deduzido que a situação chegaria a esse ponto. Sem hesitar, começou a bater a cabeça no chão na direção de Alexandre, implorando desesperadamente.
— Levem-no para a delegacia primeiro, e chamem alguém para transportar o Benito para o hospital. Vocês, fiquem aqui e inspecionem tudo — ordenou Alexandre.
Diante daquela situação, tanto Glaucia quanto Clarinda haviam entrado em colapso emocional. Ele era o único capaz de assumir o controle.
A ambulância chegou rapidamente. Os paramédicos colocaram Benito Mota no veículo. Glaucia observou a ambulância, mas por um longo tempo não teve coragem de se aproximar.
Até o veículo partir, ela não deu um passo sequer. Quem acompanhou Benito foi Clarinda.
— Como eu vou contar isso a ela?
Com a personalidade de Isaura, ver Benito daquele jeito só a faria rejeitar a realidade e agravaria sua doença.
Mas o homem havia sido encontrado; Glaucia não poderia esconder a verdade para sempre.
Se nem ela mesma tinha coragem de encarar Benito, o que dirá Isaura?
Ícaro deu tapinhas suaves nas costas de Glaucia: — Glaucia, não se desespere. Vamos primeiro ao hospital ver a situação dele, e depois pensaremos em como lidar com a sua mãe.
— Eu vou entrar em contato com um hospital na capital para monitorar o estado de saúde dela. Quando a condição dela estiver perfeitamente estável, nós damos a notícia.
As emoções de Glaucia começaram a se assentar sob o tom firme e diretivo de Ícaro.
Era a única solução agora. Teriam que esperar o momento em que Isaura estivesse mais forte para contar sobre Benito, caso contrário...
O pai havia sido encontrado. A resposta que ela buscou por tantos anos finalmente estava ali, mas Glaucia sentia como se cada gota de energia tivesse sido drenada de seu corpo. Mesmo sentada no carro, ela continuava a tremer incontrolavelmente.

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