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Eles Pareciam uma Família, E Eu Virei a Estranha romance Capítulo 449

Os dedos de Tadeu acariciavam distraidamente o pescoço esguio de Glaucia, e a sua voz assumiu um tom ainda mais rouco:

— Glaucia, hoje eu estou de péssimo humor. Não tenho cabeça para ficar discutindo esses seus boatos infundados. Fique quieta e me deixe te abraçar um pouco, está bem?

Ele de repente demonstrou fraqueza, mas no coração de Glaucia ainda não havia um único traço de simpatia.

Sem qualquer polidez, ela soltou uma risada de escárnio:

— Qual é o seu teatro agora, Tadeu? Você não me deu escolha de qualquer forma.

— É por isso que espero que você seja obediente e fique quieta. Não me force a fazer coisas piores, Glaucia. Eu realmente queria te reconquistar. Não quero que a nossa relação fique muito constrangedora, muito humilhante — ameaçou Tadeu, com um tom repulsivamente professoral.

Enquanto ele falava, a respiração batia atrás da orelha dela, uma sensação pegajosa que apenas enojava Glaucia ainda mais.

Como ele tinha a coragem de dizer algo assim? Enganá-la, mantê-la em cativeiro, e agora forçá-la — tudo isso não era humilhante o suficiente para ele?

Ou talvez o relacionamento deles já não tivesse mais qualquer chance de redenção, e ela não sabia pelo que Tadeu ainda lutava. Só sentia que ele era infinitamente hipócrita.

Glaucia continuava praguejando, empurrando-o com força para tentar se afastar. Ela apoiou os pés no chão, fazendo com que a cadeira de rodas dele recuasse um pouco, mas os braços dele não a soltavam.

Ao pé do ouvido, ouviu a voz lenta de Tadeu:

— Não faça escândalo, Glaucia. Eu não quero te machucar.

— Não chegue tão perto. Eu não quero misturar a minha respiração com a sua. Tadeu, vá para o inferno. Fique longe de mim! — xingou ela mais uma vez.

— Glaucia, essa sua boca nunca diz o que eu quero ouvir. Então eu deveria apenas tapá-la de uma vez. — Tadeu murmurou, como se falasse consigo mesmo. Ele se inclinou para frente, movendo o rosto em direção ao dela.

Foi então que um estrondo ensurdecedor ecoou pelo ambiente. A porta do hotel foi arrombada. Um grupo de seguranças de terno preto invadiu o quarto em perfeita sincronia, cercando Tadeu no centro.

A multidão abriu espaço, e Ícaro Marques — que deveria estar na capital — entrou caminhando lado a lado com Carlão.

Os seguranças de preto já haviam imobilizado Tadeu, e Glaucia se libertara de suas garras. O olhar dela encontrou-se com o de Ícaro sem aviso. Embora nada de fato tivesse acontecido, ela sentiu uma inexplicável pontada de culpa.

Ícaro, com o semblante tão natural quanto sempre, deu dois passos à frente e cobriu os ombros de Glaucia com o próprio casaco. Em seguida, lançou um olhar sarcástico na direção de Carlão:

— Carlão, parece que eu não fui injusto com você. Você realmente tem sido negligente com a gestão dos seus subordinados. Deixou que gente mal-intencionada se aproveitasse das brechas debaixo do seu nariz.

— As suas palavras soam muito bonitas, Carlão. Mas a verdade é que você só precisa punir o subordinado que não lhe obedece, e esse assunto calha de envolver o que a Glaucia quer saber. Trocando em miúdos, você continua fazendo isso apenas para benefício próprio.

Vendo que Ícaro não cedia um milímetro, a expressão de Carlão também ficou mais feia.

Glaucia interveio, retomando a frieza de uma negociadora astuta:

— Ícaro, deixe estar. Se você e o Carlão mantêm uma amizade profunda, acredito que o Carlão não é o tipo de pessoa que não distingue o certo do errado, e muito menos que protegeria um bando de carrascos. O assunto da Vila dos Pescadores, presumo que o Carlão tenha escutado. Aquilo é apenas um de muitos crimes horrendos deles. Espero que o Carlão possa investigar isso a fundo e dar justiça àquelas vítimas.

Glaucia mencionou apenas a Vila dos Pescadores, sem tocar no assunto do próprio pai na frente de Carlão. Afinal, o passado era distante, e as pistas que ela tinha eram meras suspeitas e deduções. Pedir a Carlão para investigar aquilo seria irrealista.

Mas, no momento, tanto os Farmacêuticos Rodrigues quanto o lado de Aureliano pareciam ter conexões com aquele evento. Glaucia acreditava que não demoraria muito para que a verdade viesse à tona.

Se ela pudesse usar as mãos de Carlão para fazer uma limpa total nas Farmacêuticas Rodrigues agora, seria uma jogada excelente.

Ícaro havia dito que Carlão já sabia de seu sequestro há muito tempo e estava "pescando", o que significava que ele também já suspeitava de Vinicius.

— Naturalmente — disse Carlão. — Ícaro, esse seu temperamento ainda é muito apressado. Você não tem a mesma visão ampla dessa jovem senhora. Alguém traga um chá gelado para o Ícaro abaixar a fervura. O espetáculo aqui ainda vai durar um bom tempo.

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