Quando lançou o olhar novamente para Tadeu, notou que ele parecia vulnerável, exibindo claramente uma expressão de quem mendigava atenção e pena.
O breve desconforto que sentiu foi rapidamente reprimido por ela. Se Tadeu, como filho, não parecia se importar tanto e estava até usando a situação para ganhar simpatia, Glaucia achou que a família Pires era, de fato, feita de pessoas cínicas e deploráveis.
Glaucia afirmou, em um tom inabalável:
— Quem planta o mal colhe a própria ruína. Tadeu, depois de todas as coisas desumanas que você fez, acha mesmo que terá um bom final?
Tadeu sorriu amargamente mais uma vez:
— Glaucia, você é realmente tão fria assim? Não tem sequer uma palavra de consolo?
— Vocês fizeram tantas atrocidades. Já consolaram as vítimas? Embora eu não saiba o que Napoleão fez, o fato de ele ter fugido para São Paulo e se envolvido com essa laia já mostra que as mãos dele não estavam limpas. Eu não tenho o costume de consolar carrascos. Tadeu, não me importa se você está triste ou se tem outras segundas intenções. Apenas suma da minha frente — declarou Glaucia.
— Você mudou, Glaucia. Eu costumava achar que você era uma mulher tão bondosa — comentou Tadeu, numa tentativa dissimulada de manipulá-la.
Ouvir a falsa reflexão moral de Tadeu pareceu-lhe irônico:
— A bondade depende de quem a recebe. Não tenho o menor interesse em ter pena de psicopatas como vocês.
— Então, não importa o que eu faça, você não vai ceder? Para você, eu estarei sempre errado, é isso, Glaucia? — insistiu ele.
Glaucia o odiava.
Se já o odiava sem saber da verdade sobre a morte do pai dele, então aquele evento não mudaria em nada a relação entre os dois.
Afinal, ela nunca teve a intenção de perdoá-lo.
Agora, o relacionamento deles havia chegado a um ponto sem volta.
Sendo assim...
Ele sentiu que não precisava mais ter paciência esperando que Glaucia mudasse de ideia.
Com esse pensamento, Tadeu girou as rodas da cadeira, aproximando-se dela milímetro a milímetro:
— Glaucia, eu pensei que, se eu tivesse um pouco mais de paciência, eventualmente você voltaria para mim. Agora vejo que isso é impossível, então não preciso mais perder tempo. Hoje eu estou me sentindo péssimo. Venha aqui me dar um abraço, sim?
Embora Glaucia não fosse mais fazer isso e aquele abraço tivesse sido forçado, Tadeu ainda sentiu uma certa paz.
Provavelmente porque Glaucia havia resolvido tantos problemas para ele ao longo dos anos, fazendo-o se acostumar tanto com a proteção dela que, ao lado de Glaucia, ele se sentia profundamente relaxado.
— Tadeu, o que você quis dizer com aquela pergunta de agora há pouco? Você sabe algo sobre o meu pai? — Como não conseguia se soltar, Glaucia, com o corpo tenso, fez o máximo esforço para se afastar levemente dele, trazendo o assunto de volta com profissionalismo frio.
— Não quis dizer nada, só perguntei por perguntar — respondeu Tadeu.
Glaucia não era tola; jamais seria enganada por aquela desculpa esfarrapada.
Glaucia raciocinou de imediato:
— Você sabe a verdade por trás da morte do meu pai. Talvez o Napoleão esteja envolvido, certo? O fato de Napoleão vir a São Paulo e imediatamente buscar a proteção de Aureliano prova que ele e Aureliano já tinham uma ligação no passado. Então Aureliano talvez seja um dos grandes culpados envolvidos naquilo.
— Chega, Glaucia, pare de especular. Acha que está escrevendo uma novela? Onde há tantas reviravoltas assim? Eu já disse, foi apenas uma pergunta casual, só queria ver quão profundo é o seu rancor por mim — desconversou Tadeu.
Ele estava tentando desesperadamente encobrir a verdade, mas, aos olhos de Glaucia, essa atitude só a deixava mais desconfiada.

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