Pedir ajuda a Vinicius?
A ingenuidade nas palavras de Vitória apenas tornou a expressão de Tadeu ainda mais fria. Se Vinicius estivesse disposto, já teria ajudado.
Ele ter trazido Vitória para cá era apenas uma forma superficial de fazer um favor a ele. Quanto ao caso de Napoleão, ele certamente não iria se envolver.
Essas pessoas da alta roda eram escorregadias e cheias de redes de contatos interligadas.
Se a causa da morte de Napoleão foi realmente ter arranjado aquela cobaia para ele, então essa notícia com certeza já havia chegado a Vinicius. Se Vinicius quisesse, não teria sido impossível salvar a vida do pai dele. Mas agora...
Tadeu cerrou os lábios, a ironia em seus olhos tornando-se mais evidente.
Não importava. Ele usaria Vinicius apenas como um degrau.
Quando fizesse o seu próprio império, ele não perdoaria nem Vinicius nem Aureliano.
— Tadeu, por que você não diz nada? Vá implorar ao Vinicius! O seu pai já está morto, ele precisa descansar em paz! — Vitória sacudia o braço de Tadeu com força, a voz rouca de tanto chorar.
Tadeu afastou a mão dela suavemente:
— É inútil, mãe. Esqueça isso. O Vinicius não pode nos ajudar. Faça apenas um túmulo simbólico para o meu pai.
— Você nem tentou, como sabe que não vai dar certo?! Tadeu, é o seu pai! Como você pode ser tão cruel? Um túmulo simbólico? O corpo do seu pai ainda está lá, por que eu faria um túmulo simbólico?!
A voz de Vitória tornou-se estridente, a raiva afogando a sua razão, fazendo com que tivesse vontade de despedaçar Tadeu com as próprias mãos.
Tadeu respondeu com impaciência:
— Se a senhora quiser perder o seu filho também, então continue me pressionando!
Essa frase finalmente paralisou Vitória, fazendo com que não ousasse mais se mover. Ela apenas olhava para Tadeu com os olhos vermelhos, com medo até de falar.
Tadeu disse, exausto:
— Fique aqui e descanse. Eu tenho coisas a resolver.
Vitória não sabia de nada. Tadeu sabia que não conseguiria arrancar mais nenhuma informação dela.
Ele precisava de silêncio agora.
Era o seu pai quem havia morrido; ele não poderia ser totalmente indiferente.
Mas, entre os prantos de Vitória e a futilidade de Hortência, ele nem sequer teve a chance de lamentar.
Nenhuma das duas tinha a menor capacidade de resolver nada, e ambas esperavam ser consoladas por ele.
— Tadeu, você sabe de alguma coisa? Quem é a pessoa que você está falando? Você sabe do paradeiro do meu pai?
— Eu não sei, só estou perguntando. Glaucia, é uma situação hipotética. O que você faria se estivesse nessa situação? — A voz dele soava incrivelmente rouca, como se a sua garganta tivesse sido arranhada por lixa. No entanto, os seus olhos permaneciam fixos nela, como se quisesse capturar cada ínfima mudança em sua expressão.
Tadeu de repente percebeu o quão insensível ele mesmo era. O seu próprio pai, Napoleão, acabara de morrer e, naquele exato momento, o que ele pensava era se conseguiria ou não reatar com Glaucia.
Glaucia viu que os olhos de Tadeu estavam vermelhos, com lágrimas ameaçando cair. As suas roupas estavam amassadas, o cabelo bagunçado, e o rosto mortalmente pálido. Era óbvio que algo grave havia acontecido.
Mas, por mais patético que ele parecesse agora, Glaucia não sentia a menor gota de compaixão por ele.
— Não há situação hipotética — respondeu Glaucia. — Tadeu, não quero ouvir você contar histórias ou criar hipóteses. Ou me solta, ou vá embora. Não acho que estejamos em uma relação em que possamos coexistir pacificamente e conversar no mesmo ambiente.
Tadeu deu uma risada fraca, com um toque de amargura no olhar:
— Tão implacável assim, Glaucia?
Glaucia não respondeu, achando a pergunta completamente inútil. Foi Tadeu quem continuou a murmurar para si mesmo:
— Glaucia, o meu pai morreu. Acabei de receber a notícia. Muito repentino, não é?
Tendo convivido com Napoleão sob o mesmo teto por tantos anos, a súbita notícia fez com que a própria Glaucia sentisse um ligeiro torpor por um instante.

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