O carro parou na garagem da mansão no fim da tarde.
Lorena desligou o motor e ficou ali por um momento, as mãos ainda no volante, os olhos fixos no horizonte através do vidro. O céu lá fora estava cinzento, nuvens pesadas, carregadas, aquele tipo de tarde que não decide se vai chover ou apenas ameaçar o tempo todo.
A cabeça ainda girava.
As imagens do hospital não saíam.
"Ela não quer o meu filho e não me deixa ficar com ele."
As chaves tilintaram na mão quando ela saiu do carro. Os passos até a porta de entrada foram lentos. A casa estava silenciosa, o que significava que Dante ainda não havia voltado.
Ela entrou. Subiu as escadas. Se trancou no quarto.
Sentou na beira da cama.
E ficou olhando para a parede com a consciência lenta de alguém que recebeu uma informação grande demais para processar em pé.
Dante chegou uma hora depois.
Os passos dele no corredor eram firmes, apressados o ritmo de quem teve um dia longo e está com vontade de chegar logo, só então ela percebeu que esteva ansiando por ele.
- Lorena? - chamou.
Ela não respondeu.
Os passos chegaram até a porta do quarto. Ele apareceu na soleira com a gravata meio afrouxada, os cabelos um pouco desalinhados, o rosto com aquele meio sorriso de quem estava ansioso pelo reencontro e que mudou completamente quando a viu sentada na beira da cama olhando para o nada.
- O que aconteceu?
- Vem aqui - ela disse.
Dante sentou ao lado dela sem questionar. Ele a puxou para o colo apoiando a cabeça dela no peito, acariciando os cabelos macios, eles ficaram assim até que ela começou a falar.
Lorena contou tudo.
O telefonema. O hospital. O quarto de Nina e a conversa que havia acontecido ali, com palavras que ainda estavam cruas na memória.
- O bebê não é de Rafael, Dante. - Ela olhou para ele. - Eu espero que realmente não seja.
Dante não se moveu. Não piscou. Os olhos fixos num ponto à frente, a mandíbula levemente travada.
- Se isso for verdade - disse, devagar - talvez esse bebê ainda possa ter uma família.
- Sim.
- Como era esse homem?
- É um rapaz parece bem jovem. - Lorena passou as mãos pelas coxas num gesto inquieto.
Dante fechou os olhos por um segundo, continuou acariciando os cabelos da mulher em seu colo.

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