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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 167

Durante a estadia no hospital, o quarto da pequena Julia e seus pais eram os mais visitados de toda a maternidade, mas uma visita foi diferente.

O corredor da maternidade estava silencioso.

As luzes eram baixas, os passos dos enfermeiros abafados, o som dos monitores bipando ao fundo. O cheiro de antisséptico e lençóis limpos se misturava a algo novo, o perfume discreto dos primeiros cuidados com um recém-nascido.

Jorge Menezes caminhou devagar.

A bengala já não era mais um adereço de poder. Era uma necessidade. As mãos, que outrora comandaram impérios com um gesto, agora tremiam levemente. O terno ainda era impecável, mas o corpo não acompanhava mais a elegância da roupa.

Ele parou diante da porta do quarto.

Pela janela de vidro, viu a cena.

Laura e Jonas estavam ao lado da cama, Laura com os olhos marejados, Jonas com a mão no ombro da mulher. Alexandre estava no fundo, recostado na parede, os braços cruzados, um sorriso discreto no rosto.

Dante segurava Lorena pela cintura.

E no colo dele, embrulhada em uma manta branca, uma pequena figura.

Julia.

O velho Menezes ficou imóvel.

A imponência de outrora havia desaparecido. Não havia mais a postura de quem espera ser servido, o olhar de quem avalia um adversário. Havia apenas um homem velho, cansado, observando uma cena que ele mesmo destruíra décadas atrás.

Julia.

O nome ecoou dentro dele.

O mesmo nome da filha que ele perdeu.

A filha que ele amou mais do que qualquer coisa no mundo.

A filha cuja morte ele nunca conseguiu perdoar, nem a si mesmo, nem ao mundo, nem ao neto que ficou.

E agora, ali estava uma nova Julia.

Carregando o mesmo nome. O mesmo sangue. O mesmo legado.

Ele não entrou.

Não pediu permissão.

Apenas ficou ali, do lado de fora, observando.

Os olhos marejados.

A mão na bengala tremendo um pouco mais.

- Me desculpa - sussurrou.

A voz saiu baixa, quase inaudível. Ele não sabia se falava com Dante, com Lorena, com a pequena Julia ou com a filha que se fora.

Talvez com todos eles.

Talvez consigo mesmo.

Virou-se devagar.

Os passos de volta pelo corredor foram mais lentos do que na ida.

A bengala ecoou no piso de vinil.

E ele desapareceu na curva, sem olhar para trás.

Depois de receber alta, Dante levou suas duas mulheres favoritas dirigindo tão devagar para não correr o risco de machucá-las que até as bicicletas os ultrapassavam.

O carro parou na garagem da mansão.

Dante desligou o motor, mas não se moveu imediatamente. Olhou para o banco de trás, onde o bebê conforto estava preso. Julia dormia, os lábios entreabertos, os bracinhos para cima.

- Ela está quieta demais - sussurrou.

- Está dormindo - Lorena respondeu, cansada, mas sorrindo.

- E se ela parou de respirar? Vamos conferir

- Dante…

- Eu só vou olhar.

Ele saiu do carro, abriu a porta traseira com cuidado, e encostou o ouvido na boquinha da filha. A respiração dela era leve, mas constante.

- Tá viva - disse, aliviado.

- Eu te disse.

- Eu precisei verificar.

Laura e Jonas já estavam na porta da mansão, os olhos marejados, os braços abertos. Laura apertou Lorena contra o peito, chorando baixo.

- Minha filha…

- Estou bem, mãe.

- Você é muito corajosa.

Jonas apertou a mão de Dante. Não disse nada. Não precisava. O aperto foi firme, longo, com a força de quem finalmente confiava.

Alexandre chegou meia hora depois.

Trazia a mala do carro lotada de presentes para a netinha.

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