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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 142

O telefone tocou no meio da tarde.

Lorena estava no escritório, cercada de contratos. A pilha de documentos à sua frente não parava de crescer, e os olhos já começavam a doer de tanto ler letras miúdas. A primeira semana de volta ao trabalho depois de tudo o que aconteceu tinha sido um misto de alívio e exaustão, alívio por voltar à rotina, exaustão por tentar recuperar o tempo perdido.

Os e-mails não lidos se acumulavam. E, no meio daquela montanha de papel, o celular vibrou.

O número do hospital apareceu na tela.

- Senhora Lorena? - a voz da enfermeira veio ansiosa. - Desculpe incomodar, mas precisamos de ajuda.

- O que aconteceu?

- É sobre o bebê. O banco de leite está muito baixo. Ele precisa de leite materno, e a mãe… a Sra. Nina está com bastante leite, mas se recusa a doar ou a amamentar. Já tentamos de tudo. A senhora poderia conversar com ela?

Lorena olhou para os contratos espalhados sobre a mesa. Para o relógio na parede. Para a pilha de e-mails não lidos. Por um segundo, hesitou.

- Estou indo. - Ela decidiu e depois, guardou o celular no bolso.

O hospital estava mais vazio no fim da tarde.

Lorena atravessou o saguão com passos rápidos.

O elevador pareceu demorar uma eternidade.

Quando as portas enfim se abriram, o corredor do segundo andar a recebeu com os sons já familiares: pequenos choros de vez em quando, o som abafado de monitores bipando ao fundo, o eco de passos apressados de algum enfermeiro indo de um quarto a outro. O cheiro de álcool em gel e desinfetante já não a incomodava mais era apenas o perfume daquele lugar que, nas últimas semanas, tinha se tornado uma extensão da sua rotina.

Quando se aproximou do quarto de Nina, ouviu vozes.

Uma era de Nina, mais alta, alterada, cortando o ar com uma aspereza que Lorena reconhecia bem. A outra era de um homem. Eles claramente discutiam, mas as palavras se embaralhavavam, abafadas pelos sons da maternidade.

Lorena diminuiu o passo.

- …você não pode fazer isso! - o homem dizia, a voz desesperada.

- Eu faço o que eu quiser! - Nina respondeu, cortante. - Sai daqui!

A porta se abriu antes que Lorena pudesse recuar.

Um rapaz saiu. Não devia ter mais que vinte anos, o cabelo castanho desalinhado, os olhos vermelhos de quem acabou de chorar. A camisa amassada, as mãos trêmulas. Ele quase esbarrou em Lorena, murmurou um "desculpa" sem olhar para o rosto dela, e desapareceu no corredor.

Lorena ficou ali, parada.

Queria perguntar quem ele era. Mas a relação dela com Nina nunca tinha sido próxima o suficiente para esse tipo de pergunta.

Respirou fundo e entrou.

Nina estava sentada na cama, o rosto virado para a janela, os braços cruzados. O cabelo estava preso de qualquer jeito, o olhar perdido no horizonte. As olheiras eram profundas, escuras, e a pele estava pálida, a recuperação não estava sendo fácil, mas a amargura no rosto não vinha só do corpo.

- O que você quer? - perguntou, depois de dar uma olhada rápida.

- O banco de leite está baixo - Lorena disse, direto. - O bebê precisa.

Nina riu. Um riso curto, sem humor, que ecoou pelas paredes do quarto.

- É claro que precisa.

- Você tem leite. Os médicos disseram que…

- E daí?

Lorena respirou fundo. Contou até três.

- Você não precisa amamentar se não quiser. Mas podia retirar. Deixar para o banco. Ele é seu filho, Nina.

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