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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 165

A gravidez foi tranquila. Um verdadeiro milagre, considerando tudo o que Lorena havia passado para chegar até ali.

Os médicos acompanharam cada semana com atenção redobrada. Havia consultas frequentes, exames repetidos e recomendações que Dante levava mais a sério do que a própria equipe médica. Mas, contra todos os medos, tudo corria bem.

O coração da bebê era forte.

Os exames vinham perfeitos.

E a cada ultrassom, a pequena parecia encontrar uma nova forma de lembrar aos pais que estava ali.

No terceiro mês, Lorena anunciou que voltaria ao trabalho presencial.

- Nem pensar - foi a primeira resposta de Dante.

Ela cruzou os braços.

- Eu nem terminei a frase.

- Não precisava.

- Dante...

- Lorena...

Ela respirou fundo, já acostumada.

- Minha gravidez é saudável. O médico liberou. Eu me sinto bem. Eu fiquei anos parada. Anos. Não vou ficar mais tempo em casa só porque estou grávida

Dante abriu a boca para argumentar.

Não encontrou nada.

Porque, no fundo, sabia que ela tinha razão e ele jamais conseguiria convencê-la.

- Promete que vai me avisar se sentir qualquer desconforto?

Lorena estendeu o dedo mindinho.

- Prometo.

Ele suspirou antes de entrelaçar o próprio dedo ao dela.

- Essa promessa não tem valor nenhum.

- Tem sim.

- Você mente.

- Só um pouquinho.

Apesar da reclamação constante, Dante acabou cedendo.

Isso não significava que ele havia parado de se preocupar.

Muito pelo contrário.

A partir daquele dia, passou a aparecer no escritório quase diariamente.

Às vezes chegava perto do almoço carregando frutas cortadas, sanduíches naturais e sucos que preparava pessoalmente.

- Sua esposa é muito sortuda - disse a recepcionista, certa vez.

- Eu sou o sortudo - ele respondeu, com a simplicidade de quem diz uma verdade.

Também ia buscá-la no fim do expediente. Chegava antes do horário, estacionava em frente, e esperava. Não admitia que ela fizesse horas extras.

À noite, quando o inchaço nas pernas aparecia, Dante fazia massagens enquanto conversavam sobre assuntos aleatórios.

Numa dessas noites, Lorena observou a mão dele acariciando sua barriga.

A pequena respondeu com um chute.

Dante sorriu imediatamente.

- Viu isso?

- Acho que ela está puxando o pai.

- Impossível. Ela tem bom gosto.

Lorena revirou os olhos.

- Amor...

- Hum?

- Depois que ela nascer, você ainda vai cuidar de mim desse jeito?

Dante levantou a cabeça.

Havia uma vulnerabilidade inesperada naquela pergunta.

Como se parte dela ainda não acreditasse merecer tanto amor.

Ele se inclinou e beijou sua testa.

- Nosso bebê vai ser minha princesinha.

A mão dele deslizou para a barriga dela.

- Mas você sempre vai ser minha rainha.

- Isso foi extremamente brega.

- Eu sei.

- Muito brega.

- E vou ficar ainda pior quando ela nascer, e você tem que aceitar porque eu sou seu marido brega, para sempre.

As lágrimas que surgiram nos olhos de Lorena vieram acompanhadas de um sorriso.

- Eu te amo.

- Eu também te amo.

Os meses passaram depressa.

No terceiro trimestre ela pegou um caso delicado, Lorena agora ja pegava casos sozinha, mas esse foi especial.

Uma mulher de quarenta e dois anos, casada há dezoito, com três filhos. O marido a controlava em tudo: dinheiro, roupas, amizades, horários. Não permitia que ela trabalhasse. Não permitia que ela visitasse a própria família. Não permitia que ela tivesse um cartão de crédito no próprio nome.

Lorena leu o processo e sentiu um arrepio.

Era como folhear um álbum de fotografias antigas.

Ela mesma.

No passado.

- Eu vou pegar esse caso - disse a Bruno.

- É pesado.

- Eu sei.

- A outra parte vai tentar de tudo, pra acabar com a reputação e dignidade dessa mulher.

- Eu sei.

- Mesmo assim quer?

- Mesmo assim.

Bruno a observou por um segundo. Depois assentiu.

- Então é seu.

A audiência foi marcada para uma quarta-feira, estava na reta final da gestação.

Lorena acordou cedo, o nervosismo no estômago, a barriga pesada, a mente girando.

- Você não deveria ir - Dante disse, da porta do banheiro.

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