A porta do quarto se fechou atrás deles com um clique suave.
Dante a pressionou contra a porta antes que ela pudesse pensar. As mãos dele encontraram o rosto dela com uma urgência que não era desespero era fome. Fome de semanas, de toques adiados, de noites em que ele havia dormido na poltrona de hospital com ela do outro lado da cidade.
- Dante… - ela tentou dizer.
Ele não deixou.
Os lábios dele encontraram os dela antes que a frase terminasse. Não foi um beijo educado. Foi um beijo de reencontro daqueles que dizem eu te amo, eu senti sua falta, nunca mais sem precisar usar nenhuma dessas palavras. Era a linguagem que os dois haviam desenvolvido sem perceber, feita de pressão e calor e o jeito específico que ele tinha de inclinar o rosto como se quisesse chegar mais perto do que o beijo já permitia.
Lorena gemeu baixo contra a boca dele.
As mãos dela subiram para os cabelos dele, os dedos se enroscando nos fios desalinhados, puxando-o para mais perto como se a distância mínima entre eles ainda fosse grande demais. Ele respondeu aprofundando o beijo, as mãos descendo pelo rosto dela, pelo pescoço, pelos ombros - com aquela atenção lenta e deliberada de quem não está com pressa porque sabe que tem tempo e pretende usar cada segundo.
O vestido leve que ela tinha colocado para aquele jantar estava preso somente por um cordão no pescoço.
Ele desfez o nó sem olhar, sem parar o beijo, os dedos que encontraram a fita com facilidade. O vestido escorregou pelo chão sem cerimônia.
- Eu estava imaginando fazer isso a noite toda - ele disse contra os lábios dela
Ela riu e suas mãos foram para a cintura dele, puxando a camisa para fora da calça com uma impaciência que ele correspondeu levantando-a do chão.
As pernas dela envolveram a cintura dele. A pele dele contra a dela.
O quarto foi um borrão no caminho até a cama.
Colchão afundando. Lençóis frios se aquecendo rapidamente sob o calor dos dois. O peso dele sobre ela, o calor dele ao redor dela, a respiração dele misturada à dela numa cadência que ela havia sentido falta sem conseguir nomear o quanto.
Havia coisas que o corpo guarda que a mente não consegue catalogar completamente. A forma específica que ele tinha de segurar o rosto dela. O jeito que a respiração dele mudava quando ela passava os dedos pela sua nuca.
Ela havia sentido falta de cada uma dessas coisas sem nem saber que estava sentindo falta.
- Eu te amo - ele sussurrou, os lábios roçando o pescoço dela, descendo pela clavícula, parando no ponto exato onde o coração batia mais forte.
- Eu também te amo.
Ela não tinha certeza se havia respondido em voz alta ou só pensado. Talvez as duas coisas ao mesmo tempo. A única certeza era que as mãos dele percorriam cada centímetro do corpo dela com aquela atenção que nunca havia sido pressa, re-aprendendo uma geografia que ele conhecia de cor mas que precisava revisitar, como alguém que volta a um lugar favorito e quer ter certeza de que ainda é exatamente como lembrava.
Ela arqueou as costas quando os lábios dele encontraram a curva da cintura. Os dedos dela se enroscaram nos lençóis.
- Dante.

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