Rafael ajustou a pontaria devagar.
O dedo voltou ao gatilho.
E então o barulho veio.
Galhos se quebrando. Passos firmes. Várias direções ao mesmo tempo.
- RAFAEL! SOLTA A ARMA!
Gonçalo surgiu da mata com três homens, as armas erguidas, os olhos fixos no alvo. Eles haviam seguido o som do disparo.
Rafael hesitou.
Tarde demais.
O primeiro disparo veio certeiro, não para matar, mas para desarmar. O projétil atingiu a mão direita de Rafael, aquela que segurava a arma, estilhaçando os dedos que ainda mantinham a pressão no gatilho. A pistola caiu no chão.
Rafael gritou.
O segundo disparo veio em seguida, acertando a coxa esquerda, abaixo da linha do quadril. A perna cedeu, e ele caiu de joelhos primeiro, depois de lado, o corpo se contorcendo na terra molhada.
A equipe avançou.
- Não atirem mais! - Gonçalo ordenou, já agachando ao lado de Rafael. Dois homens o imobilizaram, prendendo os braços para trás com força bruta.
- Meu pai… - Dante gritou para Gonçalo. - Precisamos estancar o sangramento…
Dante tentou se mover, mas a armadilha ainda prendia seu tornozelo, o metal cravado na pele. Gonçalo ordenou que um dos homens cortasse as amarras com um alicate.
O sangue escorria da perna de Rafael, manchando a terra. Ele gritava, se debatia, os olhos injetados de ódio e dor.
- Eu vou matar vocês! Todos! Vou queimar tudo que vocês têm! - A voz era distorcida, selvagem. - Vocês não vão sair vivos dessa ilha!
- Para o sangramento desse aí também - Gonçalo ordenou a um dos homens, apontando para a perna de Rafael. O outro já preparava um torniquete improvisado com o cinto.
Rafael não parava de gritar.
Alexandre estava pálido, os olhos semicerrados, a respiração curta.
- Fica comigo - Dante disse, a mão do pai ainda entre as suas. - A gente ainda tem tanta coisa para conversar.
O som do motor do jato começou a se aproximar.

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