A sala de espera do hospital estava mais vazia agora.
As horas haviam passado. Lorena perdeu a conta de quantos cafés tomou, quantas vezes olhou para o celular esperando uma mensagem que não vinha.
Até que, uma enfermeira apareceu no corredor.
- A Sra. Menezes já foi levada para o quarto - informou, com a voz profissional. - Apesar das complicações, ela está estável.
Lorena respirou fundo.
- Ela tem uma enfermeira particular? Alguém para ficar com ela?
Uma moça jovem que acompanhava a médica, com o crachá de assistente social, questionou.
- A Sra. não deixou contato de nenhum familiar.
- Eu vou resolver isso.
Lorena se levantou. Pegou o celular, embora não soubesse de fato o que fazer, e caminhou até o balcão da recepção. Levou alguns telefonemas e muita paciência com a burocracia do hospital. No fim, uma enfermeira particular foi contratada.
O nome dela era Vera. Cabelos grisalhos presos em um coque, olhos atentos atrás dos óculos de leitura, um sorriso discreto que não prometia nada além de competência. Lorena explicou rapidamente a situação.
- Ela está sozinha - disse. - Eu só quero alguém que fique com ela. Pelo menos até…
Até o quê? Até que alguém da família resolvesse aparecer?
- Não se preocupe, senhora. - Vera colocou a mão no ombro de Lorena com uma leveza que doeu de tão humana. - Eu cuido dela.
A enfermeira se afastou, deixando Lorena parada no meio do corredor.
Lorena já ia se virar para sair quando ouviu passos apressados atrás de si. A médica que havia atendido Nina vinha em sua direção, o jaleco branco manchado de líquidos que Lorena preferiu não identificar.
- Dra., como está o bebê? - perguntou.
- O pequeno é bem forte - respondeu a médica, com um tom que misturava profissionalismo e um toque de admiração. - Está reagindo bem.
- Ótimo. - Lorena suspirou aliviada. Pelo menos uma boa notícia.
A médica a observou por um segundo.
- A senhora gostaria de ver o bebê? A UTI neonatal fica no segundo andar.
Lorena sentiu o coração apertar.
- Eu…
- Ele está estável - a médica acrescentou, como se precisasse justificar o convite. - Nasceu prematuro, mas está reagindo bem. Às vezes… os bebês sentem quando alguém está por perto.
Lorena assentiu e seguiu a médica, os passos automáticos.
A UTI neonatal era um mundo à parte.
O corredor era silencioso, iluminado por luzes frias e indiretas que não agrediam os olhos. Antes de entrar, a médica entregou a Lorena um avental descartável, uma máscara cirúrgica e uma touca.
- É para proteger os bebês - explicou. - O sistema imunológico deles ainda não está preparado.
Lorena vestiu tudo sem questionar. As mãos tremiam levemente enquanto prendia os botões do avental.
A médica a conduziu por uma porta dupla, que se abriu com um ruído hidráulico. Depois, outra porta. Depois, uma antecâmara onde elas passaram álcool em gel e calçaram proteções nos sapatos.
Até que finalmente…
A sala era grande. Parede de vidro em um dos lados, e do outro, fileiras de incubadoras pequenas caixinhas transparentes, iluminadas por uma luz suave que vinha de dentro. Cada uma delas abrigava um corpinho minúsculo. Tubos. Fios. Máquinas que bipavam e sussurravam, monitorando sem cessar.
Uma enfermeira paramentada da cabeça aos pés estava ao lado de uma das incubadoras. Ao ver Lorena, fez um gesto suave com a mão, chamando-a.

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