Osvaldo dirigiu para casa com a mente confusa durante todo o caminho.
Ele não sabia o que o estava incomodando.-
O carro entrou na vila e, assim que parou, ele abriu a porta e desceu. O mordomo, ouvindo o barulho, saiu para recebê-lo e ficou visivelmente surpreso ao vê-lo:
— Patrão, por que voltou a esta hora?
Osvaldo ignorou a pergunta, caminhou direto para dentro e perguntou casualmente:
— Onde está a Andreia?
— Ela já subiu para descansar.
Os seus passos pararam por um momento.
Subiu?
Ele olhou instintivamente na direção da sala de estar. Estava vazia.
A luz em frente ao sofá estava acesa, mas não havia ninguém lá.
Normalmente a esta hora, Andreia estaria sentada ali, lendo um livro ou arrumando flores. Ao ouvi-lo abrir a porta, ela levantaria a cabeça e perguntaria se ele estava com fome e se queria que ela fizesse um macarrão.
Ele achava irritante e dizia para ela não esperar.
Depois, ela começou a esperar menos, mas toda vez que ele voltava, a luz da sala estava sempre acesa.
Hoje a luz ainda estava acesa, mas a pessoa não estava lá.
Uma irritação difícil de explicar tomou conta do peito de Osvaldo. Por que ela estava agindo assim hoje, sem esperar por ele na sala como sempre fazia? Será que ela não se importava se ele bebesse demais e voltasse passando mal sem ninguém para cuidar dele?
Andreia estava cada vez mais desrespeitosa.
Com a idade que tinha, por que ainda queria se divorciar?
Ele caminhou até a mesa de centro e olhou para baixo.
O acordo de divórcio ainda repousava silenciosamente ali, com uma caneta ao lado.
Exatamente como estava quando ele saiu.
Ele estendeu a mão, tocou a borda do papel com as pontas dos dedos e parou. O toque do papel era frio, como o olhar de Andreia para ele hoje.
Ele abaixou a cabeça e olhou para a última página.
Andreia já havia assinado. A caligrafia era impecável, cada traço perfeitamente desenhado.
Osvaldo encarou o nome por um longo tempo.


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