Depois de se sentar em sua mesa por um tempo, Camille pegou o celular, procurou um número e ligou.
— Alô, Dona Geovana. Sou eu, Camille.
A voz de uma mulher de meia-idade soou do outro lado da linha, com um tom de surpresa:
— Camille? Por que está ligando a esta hora?
— Dona Geovana, eu queria saber como estão os preparativos para a festa de aniversário de hoje à noite. — A voz de Camille era gentil e educada. — O Osvaldo tem estado muito ocupado ultimamente, e tenho medo de que ele não consiga cuidar disso. Eu gostaria de ajudar. Se precisar de algo, é só me dizer.
— Ah, minha querida, você é tão atenciosa. — Dona Geovana riu do outro lado da linha. — Você é quem tem juízo. A Andreia, como esposa, não deu as caras até agora. Eu liguei para ela, e ela disse que não viria. Me diga, isso é aceitável?
Camille abaixou os olhos, com um tom de preocupação na voz:
— A Andreia deve ter outras coisas para fazer. Não fique brava, Dona Geovana. Eu não tenho muito o que fazer hoje, posso ir ajudar. Embora eu não seja tão boa nisso, é melhor do que não ter ninguém para organizar.
— Como eu poderia te incomodar? Você ainda tem que trabalhar.
— Eu posso fazer o trabalho do Osvaldo à noite. — disse Camille. — As suas coisas são mais importantes.
Dona Geovana riu ao telefone:
— Ótimo, ótimo. Então venha à tarde, vou mandar alguém te buscar.
— Certo, Dona Geovana. Até a tarde.
Camille desligou o telefone, curvando levemente os lábios.
**
À noite, Osvaldo olhou para o relógio. O banquete estava prestes a começar.
Ele pegou o celular e deu uma olhada.
Andreia não havia lhe mandado nenhuma mensagem.
Antigamente, o celular sempre ficava cheio das mensagens dela. Ela contava o que tinha feito no dia, o que tinha preparado para comer, como andava a decoração no Solar, quais parentes já tinham chegado, o que a mãe dele tinha falado e se o pai dele estava de bom humor...
O seu celular ficava cheio de mensagens dela todos os dias.
Mas hoje, não havia nada.
Ele sentiu um pânico inexplicável.
Até que uma nova mensagem chegou. Era de Tobias Ferreira: "Osvaldo, por que você ainda não chegou? A sua festa de aniversário está quase começando. A cunhada preparou tudo muito bem."
Parecia que Andreia estava preparando uma surpresa para ele e, por isso, não havia dito uma palavra de propósito.


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