Nesse momento, Andreia estava bebendo com as amigas com quem havia perdido o contato há muito tempo.
O local foi escolhido por Clarice, um pequeno bar em um beco.
Andreia não ia a um lugar como aquele há muito tempo. Depois de se casar, ela vivia em função de Osvaldo.
— Você finalmente enxergou a verdade. — Clarice colocou o copo na mesa, com um tom de frustração. — Aquele desgraçado não merece os seus preciosos três anos. Ele não é digno de você.
— É verdade, Andreia. — Fernanda concordou. — Divorcie-se logo dele e recupere o que é seu.
As outras pessoas concordaram, falando todas ao mesmo tempo.
Ouvindo aquilo, os olhos de Andreia esquentaram.
O seu casamento havia sido um desastre total.
Antes de se casar, as suas amigas a haviam avisado que casar em uma família como a de Osvaldo só lhe traria prejuízos.
Mas ela, como uma tola, mergulhou de cabeça no casamento e ficou presa nele por três anos.
Três anos. Mais de mil dias de casamento.
— Eu não estou voltando atrás agora? — Andreia pegou o copo e tomou um gole. A sua voz estava rouca, com um tom de autodepreciação. — Parem de me julgar.
As amigas não disseram mais nada.
Fernanda estendeu a mão e deu tapinhas em suas costas, enquanto Clarice enchia o seu copo.
Após um momento de silêncio, Clarice perguntou:
— O que você planeja fazer agora?
O que fazer.
Andreia segurou o copo, olhando para o líquido âmbar dentro dele, e suspirou levemente.
Ela vinha pensando no que ia fazer há alguns dias. Depois do divórcio, ela teria que se sustentar sozinha. Sem ajuda dos pais, só podia contar com si mesma.
— Talvez eu procure um emprego primeiro. — ela disse.
Ao falar de trabalho, Andreia sentiu-se um pouco apreensiva.
Ela queria voltar ao mercado de trabalho, mas estava afastada há três anos.
Três anos, para uma mulher de vinte e oito anos, era uma grande desvantagem em termos de idade. Qual empresa contrataria uma mulher com uma lacuna de três anos no currículo?
Prestes a completar trinta anos, ela já não tinha vantagem no mercado de trabalho.
— Eu concordo. — Clarice assentiu. — Você precisa de um emprego primeiro. Só com um emprego você poderá se sustentar.
Ela tirou um cartão da bolsa e o empurrou para Andreia.


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