Osvaldo sentiu uma onda de irritação. Andreia já estava lhe dando dor de cabeça logo de manhã.
Quando ele desceu, ela já estava sentada à mesa de jantar, com uma tigela de mingau à sua frente, deslizando lentamente o dedo pela tela do celular.
Ele foi até a mesa e se sentou. A empregada trouxe o café da manhã imediatamente, mas ela continuou olhando para o celular.
— Você não vai parar? Você realmente quer arrumar confusão!
A voz de Osvaldo ecoou pela sala de jantar, carregada de uma raiva incontrolável.
Andreia, que sempre o colocava no centro de tudo, não queria prestar atenção nele agora. Ela nem sequer levantou a cabeça, continuando a deslizar o dedo pela tela, sem que ele soubesse o que ela estava vendo.
— Você...
Ele a encarou e esperou por um momento, esperando que ela falasse, esperando que ela suavizasse o tom e o acalmasse como antes. Mas ela não disse nada, apenas pegou a tigela e tomou um gole de mingau.
Osvaldo sentiu um nó no peito.
Ele acenou com a mão, irritado:
— Se não quer comer, não coma!
Era como se ele estivesse fazendo um monólogo, e ninguém estava respondendo.
Osvaldo se levantou e ficou na frente de Andreia. Talvez percebendo que o seu tom de voz havia sido um pouco duro pela manhã, ele suavizou um pouco.
— Querida, você esqueceu que dia é hoje?
Ele já estava tratando‑a com toda gentileza para lembrá‑la da data. Ela já devia ter se acalmado, não é mesmo?
Desde que Andreia organizasse bem a sua festa de aniversário, ele não se oporia a voltar para a família.
Ele teria menos compromissos no futuro, voltaria para casa para jantar mais vezes e compraria o que ela quisesse.
Mulheres eram assim, bastava agradá-las.
O movimento de Andreia no celular parou por um momento, e ela levantou a cabeça, confusa:
— Que dia?
Ela olhou para ele, e a confusão em seus olhos era genuína, não fingida.
Osvaldo esperou que ela continuasse.
Ela se lembrou. O mordomo havia lembrado ontem que hoje era o aniversário de Osvaldo e que a festa seria no Solar. Dona Geovana havia pedido para ela voltar ontem.
No entanto, ela já havia decidido se divorciar. O que a festa de aniversário de Osvaldo tinha a ver com ela?
Ela abaixou a cabeça novamente e continuou olhando para o celular.
Osvaldo esperou por um longo tempo, mas não recebeu resposta.
O seu rosto escureceu aos poucos, e cada palavra parecia ter sido espremida por entre os dentes:
— Quero ver até quando você vai continuar teimando.
VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Pensou Que Eu Só Ia Chorar