Na sala de estar, um documento repousava silenciosamente sobre a mesa de centro: um acordo de divórcio.
— Vamos nos divorciar.
Esta era a terceira vez que Andreia Martins pedia o divórcio, mas o homem à sua frente, Osvaldo Madeira, sequer olhou para ela, demonstrando extrema impaciência:
— Guarde isso quando terminar o seu show, não tenho tempo para as suas bobagens.
Ele se levantou, tirou um cartão bancário do bolso interno do paletó e o colocou sobre a mesa de centro:
— Tem quinhentos mil neste cartão. Estou comprando um mês do seu tempo. Não me irrite.
Andreia achou graça. Osvaldo nem sequer queria entregar o cartão diretamente nas mãos dela. Ele tinha tanto medo de que alguém os interpretasse mal?
Antigamente, quando o marido lhe entregava um cartão bancário, ela aceitava com alegria e falava com voz doce: — Obrigada, amor.
Agora, porém, ela estava tão calma que nem sequer olhou para o objeto.
— Achou pouco? — Osvaldo curvou os lábios em um tom sarcástico, rindo com desdém. — Andreia, é melhor você não ser gananciosa.
Andreia respondeu com indiferença:
— Eu não quero o seu dinheiro. Só quero me divorciar de você. Não precisa se preocupar com a divisão de bens. Eu não quero nada, nem um centavo.
Ela não queria mais nada. Absolutamente nada.
Ela havia entrado na Família Madeira sem levar nada, e sairia da mesma forma.
Nos três anos de casamento, para cuidar da rotina e da alimentação de Osvaldo, ela havia abandonado o trabalho que tanto amava para se tornar uma dona de casa em tempo integral.
A ideia de que uma dona de casa tinha dinheiro e tempo livre de sobra era uma mentira.
A vida de viver de mãos estendidas era humilhante, e a traição do marido apenas declarava que ser uma dona de casa dependente de um homem era uma piada.
Osvaldo pareceu ainda mais impaciente:
— Você não vai parar, não é? Já se cansou da vida boa e quer me causar problemas? Então ninguém vai ter paz!
Como se estivesse fazendo birra, ele pegou o cartão de volta, decidindo não dar mais.
— Já que você quer fazer escândalo, continue.
Ele se preparou para sair. Andreia não queria perder a oportunidade e rapidamente se virou para chamá-lo:
— Osvaldo, se você se divorciar de mim, poderá ficar abertamente com Camille Rios. Por que você não concorda?
Camille Rios, a secretária que apareceu na vida de Osvaldo há um ano. Do desgosto inicial, passou para a curiosidade, depois pena, admiração e, por fim, um favoritismo descarado.
Andreia presenciou a mudança nos sentimentos de Osvaldo e testemunhou todo o processo da traição.
Ele até deu a Camille o colar que simbolizava a matriarca da Família Madeira. Provavelmente, aquilo era uma insinuação para que Andreia cedesse o seu lugar.
Se ela ficasse de braços cruzados, não estaria dando corda para a insinuação dele?
Osvaldo franziu a testa com repulsa, muito irritado:


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