Oito horas em ponto.
Isabela tocou a campainha da suíte 2808 pontualmente.
Não esperou muito. A fechadura fez um clique e a porta se abriu para dentro.
Teresa estava parada na porta usando um roupão de dormir, com o decote bem fechado. A cor e o modelo eram os que Isabela mais gostava antigamente, e até a curvatura do coque no cabelo era parecida.
— Entre. — Teresa se afastou para o lado. — A Isabela é mais pontual do que eu imaginava.
A temperatura no quarto estava anormalmente alta; o termostato marcava vinte e oito graus. Isabela olhou ao redor e foi sentar-se no sofá.
Na mesa de centro havia dois copos de água, ainda soltando vapor.
— Não precisa olhar, não tem veneno.
Teresa sentou-se à frente dela:
— Não posso beber outra coisa, nem pegar friagem. Tudo mania que o Henrique criou.
Isabela olhou para ela com frieza.
— Você me chamou aqui para ouvir histórias, só para eu saber o quanto o Henrique te mima? Se for isso, pode postar no Instagram, não precisa falar na minha cara.
Teresa baixou a cabeça e soltou um riso de escárnio, tamborilando os dedos no joelho.
— É, realmente mimada.
Ela levantou os olhos, e seu olhar parou novamente no ventre de Isabela por um momento.
— Aquele seu filho, deve ter uns quatro anos, né? Os olhos são iguaizinhos aos do Henrique.
O rosto de Isabela fechou.
Eloy era seu limite, intocável.
— Teresa, você quer morrer?
— Quero, como não? — disse Teresa.
Ela tomou um gole de água:
— Viver é tão cansativo. Tomar remédio todo dia, sentir dor por qualquer coisa, e ainda ter que olhar para aquela cara de morto do Henrique. Isabela, você acha que eu sou feliz?
Isabela franziu a testa, observando-a:
— Não entendo. Henrique não é bom o suficiente para você? Por sua causa, ele até abandonou a casa dele. Do que mais você reclama?
— Bom para mim?
— Naquele dia ele estava de mau humor, talvez com saudades do pai dele, ou talvez simplesmente me odiasse. Ele me empurrou e mandou eu sumir, disse que nunca mais queria me ver.
Teresa fechou o roupão, cobrindo a cicatriz.
— E eu realmente sumi. Saí chorando, caí no meio da estrada e então... Bang.
— Quando ele ouviu o barulho e chegou, eu já estava sangrando no chão.
Teresa observou o rosto de Isabela empalidecer e curvou os lábios:
— O médico disse que a vida foi salva, mas a pessoa ficou inutilizada. Não posso fazer exercícios pesados, não posso me cansar, tenho que ser cuidada com todo o cuidado.
— Desde aquele dia, o Henrique me deve meia vida.
Isabela sentiu um frio percorrer o corpo.
Não era à toa que sempre que Teresa dizia que estava doendo, ele perdia o controle. Não era à toa que no dia do casamento, quando Teresa desmaiou, ele nem terminou de colocar a aliança e correu lá para baixo.
— Só por causa disso?
Isabela apertou a palma da mão, tentando manter a racionalidade.
— Por causa de um acidente na infância, ele tem que pagar com a vida inteira? Pode ignorar a vida e a morte da esposa por você?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Me Traiu… ou Eu Enlouqueci?