Quando o relógio marcou quarenta e cinco minutos, um carro preto parou lá embaixo. O porteiro abriu a porta, e um pé calçando um salto alto fino bege saiu primeiro.
Teresa vestia um casaco de cor camelo claro, com os cabelos cacheados caídos sobre os ombros.
Isabela baixou os olhos observando aquela figura e soltou um riso de escárnio interno.
Não se passaram dois minutos e Teresa subiu ao segundo andar, logo avistando Isabela.
— Isabela, desculpe a demora.
Teresa sentou-se à frente dela, colocou a bolsa sobre a mesa e percorreu o rosto de Isabela com o olhar.
— Sua aparência está ótima, nem parece que teve um filho.
Isabela não respondeu. Levantou a mão e chamou o garçom:
— Traga um copo de água para ela.
— Morna, por favor — disse Teresa sorrindo para o garçom. — Obrigada, não bebo nada gelado.
O garçom assentiu e saiu.
Teresa virou-se para Isabela:
— Henrique vive me controlando, não me deixa beber coisas geladas, nem café. Não se incomode, Isabela, eu não sou tão... resistente quanto você.
Isabela recostou-se na cadeira, cruzou os braços e observou a atuação dela com frieza.
— Você não precisa falar do Henrique em cada frase. Não te procurei hoje para ouvir essas bobagens.
Teresa disse:
— Então veio trazer o presente de casamento para mim e para o Henrique?
— Presente? Quer que eu queime para você como oferenda?
Isabela manteve a expressão inalterada:
— Teresa, quando é que você vai parar de contar essas mentiras que se desfazem com um toque?
Teresa tomou um gole da água morna à sua frente, indiferente.
— Vocês se encontraram, né?
— Sem comentários.
— Eu sei por que você me procurou. — Teresa segurou o copo com as duas mãos, tamborilando os dedos na lateral. — Ele não te contou, não é? O que exatamente nos prende um ao outro.
Isabela retrucou:
— Então me diga. Que trunfo é esse que você tem contra o Henrique, capaz de fazê-lo deixar de agir como um ser humano por sua causa?
Teresa franziu a testa:
— O que quer dizer?
— Quero dizer que você é realmente nojenta. — Isabela não teve piedade. — Você imita minhas roupas, meu jeito de falar, minha maquiagem. O que você ganhou com isso?
— Cale a boca! — Teresa aumentou o tom de voz repentinamente, fazendo com que clientes de mesas próximas olhassem. — Eu não imitei você! O Henrique gosta! Ele gosta que eu me vista assim!
— É mesmo? — Isabela sorriu com frieza. — Então por que vocês não estão juntos? Por que precisa mentir para mim? Ele ainda está te vigiando como um cachorro agora?
Essa frase tocou na ferida de Teresa.
Nestes quatro anos, Henrique já não lhe dava nem a "responsabilidade".
— Não precisa me provocar. — Teresa se ajeitou na cadeira. — Quer saber a verdade? Tudo bem. Mas aqui tem muita gente, não é conveniente falar.
Ela tirou um cartão de quarto da bolsa e empurrou para frente de Isabela.
— Hoje às oito da noite, eu te conto tudo. — Teresa apontou para o número no cartão. — Se você tiver coragem de vir.
Isabela olhou de relance.
— Tudo bem. — Ela estendeu a mão e segurou o cartão. — Espero que a sua história valha a pena eu ter viajado esses dois mil quilômetros.

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