— Ofélia, eu sei que você está com raiva de o Thiago ter transferido as ações para mim, mas ele só fez isso porque nenhuma das pessoas que você deixou para trás estava disposta a me obedecer. O Thiago teve medo de que eu sofresse injustiças, por isso me deu as ações. Eu as aceitei para poder gerenciar melhor a empresa. Você passou esses últimos cinco anos em casa, sem precisar fazer nada, sustentada por ele. Entendo que não consiga compreender as dificuldades de uma mulher no mercado de trabalho, mas você não tem o direito de me demitir, e o Thiago jamais permitiria que você fizesse esse escândalo.
Cada palavra dita transbordava escárnio e provocação direcionados a Ofélia.
Ofélia encarava Stella com uma frieza cortante.
Instantes depois, ela largou o documento de transferência de ações e se levantou. Caminhou até Stella e, sob o olhar atônito de todos os presentes, ergueu a mão e desferiu-lhe um tapa no rosto, sem a menor hesitação!
Plaft!
O som nítido e estalado do tapa ecoou por toda a sala de reuniões.
Todos os presentes ficaram estupefatos!
Pega totalmente de surpresa pelo golpe, Stella levou a mão ao rosto e fuzilou Ofélia com o olhar. No limiar do descontrole emocional, ela rapidamente recobrou a compostura, franziu a testa, e as lágrimas começaram a rolar de imediato.
— Ofélia, se bater em mim faz a sua raiva passar, eu aceito. Mas aqui é a empresa, você está fazendo um escândalo na frente dos acionistas. Se o Thiago souber disso, com certeza vai ficar irritado de novo...
— Stella — Ofélia a interrompeu, com a voz glacial —, ser a amante sabendo que ele é casado é tão criminoso quanto a bigamia. Não ache que, só porque o Thiago a protege, eu não posso fazer nada contra você!
O semblante de Stella escureceu, e ela cravou os olhos em Ofélia.
Samuel Morais, com uma expressão complexa, deu um passo à frente e interveio: — Senhora, por favor, acalme-se. Sobre este assunto, o Sr. Tavares...
— Diga ao Thiago que as ações devem voltar do mesmo jeito que saíram. — Ofélia virou-se para Samuel, com uma postura irredutível. — Se ele quiser continuar protegendo a Stella, eu não me importo de levar tudo à ruína com eles!
Samuel enrijeceu a expressão e abriu a boca para falar algo a mais, mas Ofélia não lhe deu chance. Ela deu as costas e saiu a passos firmes da sala de reuniões.
A assembleia de acionistas acabou terminando de forma abrupta.
Os cinco anos que se passaram não haviam deixado marcas nele. Continuava deslumbrante e atraente, embora houvesse ganhado uma aura um pouco mais sombria e enigmática no olhar.
Ao ouvir os passos, ele ergueu a cabeça e seus olhos, escuros como a noite, pousaram nela. Com uma voz grave, disse: — A Sra. Manuela fez o seu caldo de peixe favorito. Tome um pouco enquanto está quente.
Ofélia parou no meio do caminho.
A atitude pacífica do marido acendeu nela uma fúria tamanha que ela acabou soltando um riso de incredulidade.
— Thiago, você realmente acha que, a esta altura, nós ainda podemos nos sentar à mesa em paz para jantar?
Thiago colocou a tigela com o caldo no lugar de Ofélia e pegou um guardanapo de pano para limpar as mãos.
Em seguida, levantou o olhar e voltou a fitá-la, mantendo a postura serena: — Ofelinha, coma primeiro. Depois que terminarmos, vamos ter uma boa conversa.

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