A voz de Henrique diminuía a cada palavra, enquanto seus dedos puxavam inconscientemente a borda do cobertor.
— E eu também não disse que não tomaria o remédio que você me deu.
Felipe o encarou por alguns segundos, e a tensão em seu rosto suavizou ligeiramente.
— Você está com AIDS, é normal sentir desconforto.
— Pense bem, para suprimir um vírus como esse, como poderia não haver nenhum preço a pagar? Um efeito desses, nem um remédio milagroso conseguiria sem consequências.
Ele pegou o frasco de remédio na mesa de centro e apontou para o rótulo em inglês.
Henrique, obviamente, não entendia nada do que estava escrito.
— Além disso, os medicamentos que te dei não vieram de canais comuns. A ação é rápida, então os efeitos colaterais são naturalmente mais evidentes. Fraqueza, náusea, tontura... tudo isso é reação comum. Quando seu quadro estabilizar e formos diminuindo a dose, esses sintomas desaparecerão.
Ele suavizou o tom, mas ainda havia uma pressão imperceptível em sua voz.
— Imagine se você for ao hospital agora, precipitadamente, e for diagnosticado de forma errada por outros médicos? Se usarem a medicação incorreta e interferirem no protocolo, todo o nosso esforço será em vão.
— E aí? Você vai conseguir arcar com essa responsabilidade?
Henrique já estava quase se fechando em seu casulo com o discurso de Felipe, mas ainda mantinha uma ponta de dúvida. Abriu a boca para argumentar, mas acabou engolindo as palavras.
Ele lançou um olhar furtivo para a expressão séria de Felipe, e o medo sufocou suas suspeitas.
O principal receio era irritar Felipe e ficar sem ninguém para tratar sua doença.
Se Felipe o abandonasse, com quem ele poderia contar?
Por fim, Henrique escolheu ceder.
Ele baixou a cabeça e respondeu com voz abafada:
— Eu entendi, Felipe... vou te obedecer.
— Não vou ao hospital.
Felipe assentiu, satisfeito, e estendeu a mão para dar tapinhas no ombro dele, retomando seu tom gentil habitual.
— Assim é que se fala.

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