Aeliana revirou os olhos, sem paciência.
— É porque você costumava ter ciúmes por qualquer bobagem, seu mente fechada. Só não queria que você ficasse imaginando coisas e remoendo isso depois.
Jocelino riu baixo, liberando a mão direita para apertar suavemente as pontas dos dedos dela.
— Olhe o que você está dizendo. Eu pareço alguém que não sabe o que é importante?
O silêncio de Aeliana foi a resposta.
Jocelino riu de indignação, mas, lembrando-se de suas atitudes passadas, sentiu uma pontada de culpa.
Ele endireitou a postura e adotou um tom sério.
— Antes era meu primeiro relacionamento, eu não tinha experiência. Agora não sou mais tão infantil. Além do mais, salvar vidas é coisa séria. Eu sei diferenciar.
Aeliana lançou-lhe um olhar e, percebendo sua sinceridade, decidiu não prolongar o assunto.
Ela segurou a mão dele e voltou o olhar para as luzes da cidade passando pela janela.
Lembrando-se da atitude cautelosa de Beatriz, Aeliana suspirou levemente, sentindo-se aliviada.
— Não sei por que, mas ver o Marcelo deitado lá hoje me lembrou da Beatriz há quatro anos. Na verdade, falando da família Costa... inclusive do Marcelo, eu já não sinto ódio. As coisas do passado parecem ter acontecido em outra vida. Pensando bem, agora tenho você e tenho minha própria vida, que é muito boa. Gastar tempo e energia remoendo aquelas velhas mágoas não vale a pena.
Jocelino murmurou em concordância, acariciando as costas da mão dela com o polegar.
— Você está certa em pensar assim. Embora às vezes recuar pareça frustrante... vivemos para nós mesmos. A vida é curta demais para desperdiçar emoções e tempo com quem não importa. É tolice.
Ao dizer aquelas palavras filosóficas, Jocelino parecia extraordinariamente sério.


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