A reação de Henrique não parecia ser por algo pequeno.
— Problema em casa? Que tipo de problema? Por que você está com essa cara péssima?
Diante da reação de Henrique, a mulher ficou ainda mais confusa.
Afinal, o estado dele parecia de puro pânico.
Henrique não ousava contar a verdade.
— É só uma confusão doméstica, nada demais!
Henrique negou apressadamente, sua voz subiu de tom sem querer e ele logo tratou de baixá-la, tentando parecer natural.
— Talvez eu só esteja cansado. Acabei de dormir e fui acordado, minha cabeça está doendo.
Ele deu um passo à frente e abraçou a cintura da mulher, tentando desviar a atenção dela com um gesto íntimo, mas as pontas de seus dedos estavam geladas e trêmulas.
A mulher olhou para ele com desconfiança, mas não insistiu, apenas resmungou:
— Todo misterioso...
— Já que não é nada, volta logo para a cama, ainda estou com sono.
Vendo que tinha conseguido enganá-la, Henrique suspirou aliviado, mas o pânico em seu peito não diminuiu nem um pouco.
Ele hesitou por um momento e, fingindo casualidade, começou a sondar:
— A propósito, querida...
— Você costuma sair com suas amigas... já ouviu falar de alguém que... não esteja muito bem de saúde?
— Ou que tenha... algum problema de saúde... hum... especial?
A mulher parou, levantou a cabeça e olhou para ele com estranheza:
— Por que está perguntando isso?
— Como eu vou saber da vida das outras? Não sou fofoqueira.
O coração de Henrique batia como um tambor, mas ele se esforçou para fazer uma cara de injustiçado e preocupado, explicando-se:
— É por causa da Sra. Rabelo...

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