Especialmente a última parte da conversa das enfermeiras atingiu em cheio Henrique, que já estava com a consciência pesada.
Henrique parou os passos e virou a cabeça bruscamente para encarar as enfermeiras.
Aquelas fofoqueiras linguarudas!
As enfermeiras notaram o olhar dele e se calaram imediatamente, baixando a cabeça em sintonia para olhar o computador, fingindo estar ocupadas organizando papéis.
Henrique cerrou os dentes, com o rosto verde de raiva.
Ele ficou parado no lugar, lançando um olhar sombrio para elas por alguns instantes; as enfermeiras sentiram um frio na espinha sob aquele escrutínio.
Pensaram que Henrique iria até o balcão tirar satisfações.
Mas, para a surpresa delas, depois de encará-las por um tempo, Henrique pareceu desistir do confronto e caminhou rapidamente para o guichê de coleta.
Na verdade, Henrique estava segurando uma fúria interna.
Se fosse numa clínica privada, ele já teria ido cobrar explicações e feito confusão.
Mas lembrando dos avisos que Felipe lhe dera dentro do consultório, Henrique conteve o impulso. Afinal, ele dependia de Felipe para se tratar.
Tinha que engolir o orgulho e agir com discrição.
Henrique chegou ao guichê de coleta bufando de raiva e, com movimentos rudes, entregou a guia de exames. O papel bateu no balcão com um estalo alto, fazendo barulho.
A enfermeira levantou os olhos para ele, sem pressa de pegar o papel. Primeiro, terminou de etiquetar o frasco do paciente anterior e só então estendeu a mão calmamente.
A enfermeira pegou a guia, passou os olhos e parou no nome "Henrique". Depois, desceu o olhar para os itens do exame.
"Triagem de anticorpos HIV"
"Teste de anticorpos para Treponema Pallidum (Sífilis)"
"Cultura para Gonococo".
A sobrancelha da enfermeira se ergueu de forma quase imperceptível.
Ela levantou os olhos e encarou Henrique novamente, dessa vez com um olhar carregado de um significado difícil de descrever.
Henrique...


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