Muito tempo depois, Jocelino finalmente a soltou.
Aeliana encostou-se no peito dele para regular a respiração, quando de repente se lembrou de algo.
— Já está tarde, eu preciso voltar.
Beatriz ainda estava esperando por ela em casa.
Jocelino, que ainda brincava com os dedos dela, instantaneamente sentiu o peso da despedida:
— Por que voltar tão cedo?
— Não pode ficar mais um pouco comigo?
— Onde que está cedo?
Aeliana olhou para o relógio; em mais meia hora, o aniversário dela já teria passado.
Jocelino estreitou os olhos:
— Por que você parece não sentir nem um pouco de falta?
Aeliana riu:
— Nós moramos um andar acima do outro.
— Além disso, não podemos nos ver amanhã?
Seria a mesma coisa?
Hoje era o aniversário de Aeliana.
E também o dia em que Aeliana aceitou o pedido de casamento dele.
Os dois mal tinham tido tempo de curtir o momento e Aeliana já queria ir embora.
Jocelino apertou a cintura dela, relutante:
— Que tal você ficar aqui esta noite?
— Deixe ela dormir sozinha lá embaixo.
Afinal, não seria a primeira vez que Aeliana passava a noite ali.
— Não!
Ela tinha saído com muita pressa hoje e não explicou nada para Beatriz; se não voltasse, a amiga ficaria preocupada.
Jocelino fez manha, recusando-se a soltá-la.
Aeliana beliscou o braço dele:
— Jocelino!
— Tudo bem, tudo bem. — Jocelino levantou as mãos em rendição. — Eu te levo.
Ele se levantou e a puxou junto:
— Mas...
Ele baixou a cabeça e sussurrou no ouvido dela:
— Quando o assunto da família Costa acabar, você vai se mudar para cá.
Aeliana sentiu as orelhas esquentarem; não concordou nem recusou, apenas o empurrou levemente:
Beatriz encarou o canto da boca dela levemente curvado para cima, murmurando em seu íntimo.
Ela jurava ter ouvido a voz do Sr. Barreto na porta agora há pouco; desde quando esses dois marcavam encontros?
Ela se lembrava que, no início, Aeliana disse que ia apenas pegar uma encomenda, não foi?
Como que indo buscar uma encomenda a pessoa desaparecia?
Além disso, quando saiu, Aeliana estava com uma cara preocupada, e agora voltava visivelmente mais feliz.
Beatriz observou o rosto radiante de Aeliana e, embora intrigada, ficou feliz pela amiga.
— Hoje é seu aniversário, Aeliana, e você ainda não tinha voltado. Como eu poderia dormir tão cedo?
Beatriz e Aeliana moravam juntas há algum tempo e ela sabia que a amiga, às vezes, não estava em segurança.
Depois do último sequestro de Aeliana, Beatriz sempre esperava ela chegar em casa para dormir.
Aeliana sabia que ela tinha esse hábito, por isso decidiu não dormir na casa de Jocelino.
— Mas...
— Aeliana.
Beatriz inclinou a cabeça, analisando Aeliana:
— Lembro que você saiu toda tristonha. Como é que volta tão feliz depois de pegar uma encomenda?
— Quem foi que te mandou essa encomenda, afinal?
— Eu estava na porta agorinha e parecia ter ouvido a voz do Sr. Barreto. Essa encomenda não seria, por acaso, uma surpresa preparada pelo Sr. Barreto?

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