Os cantos da boca de Reinaldo se curvaram em um arco gelado:
— Jocelino não está negociando aquele terreno em Altavista ultimamente? Ouvi dizer que ele ofendeu muita gente por causa daquele terreno.
Ele tamborilou os dedos no volante.
— Se acontecer algum "acidente" enquanto ele estiver viajando a negócios...
Na vida, "acidentes" podem acontecer a qualquer momento.
Jocelino se considerava um gênio dos negócios, mas às vezes, até o melhor lutador teme uma faca nas costas.
O mundo atual é perigoso, e seria muito normal Jocelino sofrer algum contratempo estando sozinho em outra cidade...
Simone entendeu imediatamente e baixou a voz:
— Mas eles estão vigiando de perto. E se descobrirem...
— Descobrirem? — Reinaldo zombou. — Se for feito de forma limpa, quem poderá rastrear até nós?
Ao longo dos anos, ele havia enterrado muitas peças no tabuleiro, e já era hora de movê-las.
Ele olhou para a esposa pelo retrovisor.
— Você não é quem mais despreza a Aeliana? Quando Jocelino cair, quero ver como ela vai manter a arrogância!
Simone finalmente sorriu, embora seu tom continuasse cruel:
— Quando chegar a hora, mesmo que ela se ajoelhe implorando para que a acolhamos, eu vou achar que ela suja a nossa soleira!
Simone não estava nem um pouco preocupada com o que Eduardo faria com eles se o caso fosse exposto.
De qualquer forma, as máscaras já tinham caído, e ela não temia que a situação piorasse.
Se Reinaldo tivesse sucesso, o que eles conseguiriam seria todo o Grupo Barreto!
Comparado a isso, Simone sentia que Reinaldo já deveria ter feito isso há muito tempo.
Toda a humilhação que ela sofreu nesses anos finalmente seria vingada!
...
Fora da janela do carro, as luzes da rua recuavam rapidamente, e sombras dançavam no rosto de Reinaldo.
Reinaldo segurava o volante com força, os nós dos dedos brancos.
Desta vez, ele faria Eduardo assistir com os próprios olhos como seu neto favorito fracassaria miseravelmente.
Ao seu ouvido.
Simone ainda reclamava incessantemente.
— Quando você acabar com o Jocelino, então...
— Está delicioso.
Heloisa sorriu satisfeita e perguntou como quem não quer nada:
— A propósito, já que vocês dois estão decididos.
— Quando pretendem realizar o casamento?
— O que vocês pensam sobre o casamento? Vocês preferem uma cerimônia mais tradicional ou algo mais moderno? Que tal um casamento no gramado? Vejo que os jovens hoje em dia gostam de cerimônias ao ar livre...
Ela pensou que nunca teria a chance de organizar o casamento do filho nesta vida.
Mas o destino deu uma reviravolta.
Agora ela havia ganhado uma nora.
Ao mencionar o casamento, Heloisa ficou animadíssima, parecendo mais empolgada do que a própria Aeliana.
A mão de Aeliana segurando o talher parou levemente, e suas orelhas ficaram vermelhas discretamente:
— Senhora, eu... eu não pensei muito sobre isso.
Ela abaixou a cabeça e cutucou o arroz na tigela.
— Antes, achava que essas coisas estavam muito distantes de mim...

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