Pensando bem, todo esse tempo foi ela quem entendeu errado.
Então, naquele dia, Jocelino estava preparando uma surpresa de aniversário para ela.
Ela baixou os olhos, com a voz baixa:
— ...Então por que você não me contou logo?
Ela perguntou, e ele ainda escondeu dela.
Jocelino soltou o queixo dela e beliscou carinhosamente sua bochecha com a ponta dos dedos.
— Eu realmente errei nisso.
— Mas na hora meu cérebro não raciocinou direito, eu pensei que tinha que ser uma surpresa para você.
— Se eu contasse, que tipo de surpresa seria?
Mas, na verdade, quando ele percebeu que algo estava errado, deveria ter explicado a Aeliana imediatamente.
Assim, não teriam passado por toda essa confusão.
Aeliana mordeu o lábio em silêncio, aceitando a explicação de Jocelino.
Jocelino olhou para as pontas das orelhas dela, levemente avermelhadas.
Agora que o mal-entendido estava resolvido, ele não precisava mais ficar em guerra fria com Aeliana.
Jocelino estava de ótimo humor; de qualquer ângulo que olhasse, achava Aeliana adorável.
Ele murmurou baixinho:
— Aeliana, por que você tem tão pouca confiança em mim?
Aeliana levantou os olhos e o encarou:
— Quem mandou você agir de forma sorrateira?
Qualquer pessoa normal que visse aquela cena teria terminado o namoro na hora. Se não fosse porque, no fundo, Aeliana confiava em Jocelino, com a personalidade dela, eles provavelmente não teriam chegado até aqui.
Jocelino riu:
— Ok, erro meu.
Ele estendeu a mão e a puxou para seus braços, apoiando o queixo no topo da cabeça dela.
— Não vai acontecer de novo.
Aeliana ficou atordoada com o abraço repentino e instintivamente tentou empurrá-lo, mas ele a abraçou ainda mais forte.
— Jocelino... — Ela protestou com a voz abafada.
— Hum. — Ele respondeu, com um sorriso na voz. — Me deixe te abraçar um pouco.
Aeliana tentou se soltar, não conseguiu, então desistiu e permitiu que ele a abraçasse.
Fora do carro, a chuva caía, mas dentro estava quente e silencioso.
Não demorou muito.
O queixo de Jocelino estava apoiado no ombro de Aeliana, sua bochecha colada ao pescoço dela, e sua voz saiu abafada, parecendo um pouco deprimida.
— Aeliana, da próxima vez, não vamos mais ficar em guerra fria.
— Você não sabe o quanto esse tempo foi difícil para mim.
Jocelino não soltou, pelo contrário, abraçou-a mais forte, com a voz rouca.
— Senti sua falta.
Uma frase simples, mas que fez o coração de Aeliana falhar uma batida.
Na verdade, durante esse tempo, ela também sentiu muita falta de Jocelino.
Ela mordeu o lábio e, no fim, não o empurrou mais, apenas disse baixinho:
— ...Infantil.
Jocelino riu baixo, seu hálito quente roçando a orelha dela:
— Eu só sou infantil com você.
Esse jeito familiar, manhoso e sem vergonha, fez Aeliana achar graça e sentir-se resignada ao mesmo tempo.
...
Muito tempo depois, Aeliana falou suavemente:
— Na verdade... eu não duvidei de você de verdade.
Jocelino murmurou:
— Hum?
Ela disse com a voz muito baixa:
— Você sabe que passei por muitas traições na primeira metade da minha vida, então... quando vi aquela cena... Não consegui controlar minhas emoções e instintivamente quis fugir.

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