Beatriz a encarou por alguns segundos, e de repente uma luz se acendeu em sua mente:
— Será que não é...
A palavra "Sr. Barreto" nem chegou a sair.
Aeliana, percebendo a intenção, olhou para Beatriz, pousou o copo e disse sem expressão:
— Coma sua comida.
Beatriz entendeu imediatamente e engoliu a pergunta que estava prestes a fazer.
Intimidada pela autoridade de Aeliana, Beatriz não ousou insistir e se sentou obedientemente para comer.
Ela colocou um pedaço de costelinha ao molho barbecue na boca e seus olhos se arregalaram instantaneamente.
— Hum! Que delícia!
Não era à toa que era o prato mais famoso do restaurante exclusivo do Vale Tropical.
A fama era merecida.
Aeliana lançou-lhe um olhar:
— Se está gostoso, coma mais.
Beatriz comia vorazmente enquanto observava furtivamente a expressão de Aeliana.
Embora Aeliana parecesse calma, as pontas de suas orelhas estavam levemente avermelhadas.
Com certeza, aquele delivery tinha tudo a ver com o Jocelino!
Será que eles tinham parado de brigar?
Beatriz estava explodindo de curiosidade, mas não teve coragem de perguntar, então apenas abaixou a cabeça e continuou comendo.
Naquele momento, Aeliana não sabia que, do outro lado, sua outra amiga, Aline, já estava a postos esperando por ela.
...
Não dava para contar com o próprio Jocelino.
Para reconciliar Jocelino e Aeliana, Aline planejou ir direto à Primeira Clínica no dia seguinte.
Para evitar que Aeliana usasse a desculpa de estar ocupada com o trabalho, Aline decidiu ir sob o pretexto de ajudar.
Assim, Aeliana não poderia recusá-la.
No dia seguinte, Aeliana foi abrir a Primeira Clínica como de costume.
Ainda não havia muitos clientes pela manhã.
Aeliana estava organizando as ervas no balcão quando ouviu o som nítido do sino da porta.
Ela olhou na direção do som e viu Aline entrando como um furacão, carregando dois milkshakes e algumas outras guloseimas.
Aline levantou a mão imediatamente, como em um juramento:
— Absolutamente séria! Se você mandar pegar remédio, eu pego; se mandar preparar a infusão, eu preparo!
Ela fez uma pausa e acrescentou:
— Claro, desde que você me ensine primeiro...
Aeliana conhecia bem o temperamento de Aline.
Ela a observou silenciosamente, suspeitando que tivesse sido enviada por Jocelino.
O olhar de Aeliana era calmo, mas parecia capaz de penetrar a alma.
Aline sentiu um calafrio sob aquele escrutínio, tocou o nariz e murmurou baixinho:
— Tudo o que eu disse é verdade.
— ... Por que você está me olhando assim?
Os cantos dos lábios de Aeliana se curvaram imperceptivelmente; ela desviou o olhar e disse com indiferença:
— Tudo bem, então sente-se aí e não toque nas ervas.
Aline soltou um suspiro de alívio e sentou-se obedientemente ao lado, bebericando seu milkshake enquanto espiava Aeliana.
Aquele olhar de Aeliana agora há pouco... será que ela adivinhou alguma coisa?

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