Daniela soltou uma risada de escárnio:
— Pedir desculpas? As desculpas do Sr. Costa são realmente valiosas, vindo de mãos vazias e achando que basta mover os lábios para resolver tudo?
Gervásio rapidamente sinalizou para o motorista retirar os suplementos do porta-malas:
— Daniela, isso é apenas uma pequena demonstração do nosso afeto. São vitaminas importadas, tudo para ajudar na recuperação da Amália.
Daniela correu os olhos pela pilha de caixas de presente e seu tom suavizou ligeiramente.
— Nossa família Oliveira não precisa dessas coisas, o que importa é a atitude de vocês!
Ela deu mais um sermão neles e, vendo que o momento era apropriado, cedeu.
Daniela virou o corpo, abrindo passagem:
— Entrem. A Amália está descansando lá em cima.
O grupo da família Costa seguiu Daniela para o saguão da família Oliveira.
Gustavo estava sentado na posição principal da sala de estar. Embora sua expressão fosse pesada, seu olhar já não era tão frio e duro quanto antes.
Desde que entendera mal Gervásio da última vez, ele guardava uma pitada de culpa no coração.
Agora, vendo a família Costa chegar com presentes valiosos e uma atitude sincera, o rancor em seu peito se dissipou em grande parte.
— Gervásio...
Gustavo falou. Seu tom era leve, sem a agressividade de outrora.
— Qual é o significado de vocês virem hoje com tantos presentes?
Gervásio curvou-se levemente, mantendo uma postura humilde:
— Gustavo, não foi isso que combinamos ontem?
— O que aconteceu antes foi erro da nossa família Costa. Marcelo foi jovem e impulsivo, e eu já lhe dei uma lição.
— Hoje viemos especialmente com estes presentes para pedir desculpas à Amália e, de quebra, levá-la para casa.
Enquanto falava, ele virou o corpo e sinalizou para Marcelo se aproximar:
— Marcelo, peça desculpas ao Sr. Oliveira.
Marcelo respirou fundo, caminhou até Gustavo e baixou a cabeça:
— Sr. Oliveira, fui imprudente antes e machuquei a Amália. Peço desculpas ao senhor.
Gustavo o encarou por alguns segundos e disse com um tom grave:
Eram todos uma família, ossos ligados aos tendões, e não seria bom deixar a situação rígida demais.
Gustavo perdoou a outra parte tão facilmente que Daniela, ao lado, ficou insatisfeita.
— Gustavo! Só isso? Ele quase fez a nossa Amália sofrer um aborto!
Gustavo acenou com a mão:
— Chega. Assuntos de jovens, deixem que eles resolvam.
Ele olhou para Marcelo. O tom era leve, mas carregava a autoridade de um ancião:
— Marcelo, eu só tenho essa filha, e a Amália tem um gênio suave. Tenha mais paciência com ela daqui para a frente.
— Se ela sofrer qualquer injustiça na família Costa no futuro, não me culpe por deixar de ser amigável.
Uma única filha? Amália tinha gênio suave?
Eram tantos absurdos que os olhos de Marcelo brilharam com descrença.
Mas, para cumprir a missão de Gervásio, Marcelo apenas assentiu obedientemente:
— Sim, Sr. Oliveira.

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