Um brilho severo passou pelos olhos de Hélder:
— Se for realmente alguém indigna, cortarei isso pela raiz o quanto antes!
Jéssica aproveitou para se aninhar em seus braços, com a voz doce até demais.
— Que bom.
Fora do carro, as luzes de neon projetavam as sombras entrelaçadas dos dois no vidro.
De fora, podia-se ouvir vagamente que mudaram de assunto.
— O nosso Alan não vai fazer a festa de maioridade no mês que vem? Seria bom convidar os Almeida...
— ...
Ao voltar do cemitério.
Aeliana, como de costume, ligou o computador e acessou a Umbral Order.
Embora seu foco profissional estivesse majoritariamente na realidade agora, havia recursos difíceis de obter no mundo real que só podiam ser comprados com dinheiro na Umbral Order.
Portanto, contanto que não colocasse em risco a exposição de sua identidade na vida real, Aeliana não desistiria tão cedo dos recursos e pacientes da Umbral Order.
Ela sentou-se diante do computador, a luz azul da tela refletindo em seu rosto frio.
Seus dedos deslizavam incessantemente pelo touchpad, e a lista de pedidos na tela rolava como água.
No final de cada pedido no histórico da conta de Aeliana, havia uma etiqueta chamativa de [CONCLUÍDO], e a taxa de cura exibia invariavelmente 100%.
A caixa de mensagens piscava sem parar, com novos pedidos de ajuda chegando em massa.
Desde que Aeliana herdou esse codinome de Flávia Porto na Umbral Order, a fama da médica "L" ressoou novamente na plataforma.
Hoje, o limite para "L" aceitar pedidos subiu astronomicamente.
Ela não aceitava nada que não fossem doenças intratáveis ou casos raros, e honorários abaixo de sete dígitos sequer entravam no campo de visão de Aeliana.
Afinal, aquela taxa de cura de cem por cento no perfil da Dra. Ana era suficiente para enlouquecer os pacientes da Umbral Order.
Aeliana recostou-se na cadeira, deslizando distraidamente a roda do mouse, enquanto os pedidos da Umbral Order passavam um por um na tela.
Depois de olhar por um bom tempo.
Aeliana achou que os casos de hoje não tinham nada de interessante.
Ela estalou a língua levemente e estava prestes a fechar a página quando, de repente, um novo pedido surgiu.
No entanto, a pessoa era claramente cautelosa, usando um ID anônimo e formas de contato criptografadas para a postagem.
Mas o endereço de IP não mentia.
Aeliana finalmente fixou o olhar na área das vilas de luxo da Zona do Horizonte Azul.
E se Aeliana não se enganava, ela lembrava que Henrique morava atualmente no Bloco 6 do Parque Tropical.
O Bloco 7 ficava bem ao lado dele.
Então, seria Henrique a pessoa que fez a postagem?
Pensando nas fofocas que Aline lhe contara dias atrás...
Aeliana tamborilou os dedos na mesa, pensativa.
De repente, um pensamento absurdo lhe ocorreu.
Será que...
A pessoa desesperada por tratamento na Umbral Order era realmente o próprio Henrique?

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