Aeliana franziu a testa inconscientemente mais uma vez.
A mente repassava sem parar o comportamento estranho de Jocelino naquela noite.
Aeliana conhecia Jocelino há tanto tempo e nunca o vira reagir daquela forma.
Qualquer um perceberia que havia algo acontecendo.
Mas pensando nas conversas recentes com Jocelino e na situação atual dele.
Aeliana realmente não conseguia adivinhar o que havia de errado com Jocelino.
Seria algo relacionado à empresa?
Ou seria...
Manhã cedo.
Aeliana tinha acabado de se arrumar quando o celular tocou.
Era uma ligação de Victor.
Aeliana atendeu.
— Sr. Gomes.
Do outro lado da linha, a voz de Victor transparecia cansaço, mas continuava firme.
— Aeliana, como está a situação daquele paciente de ontem à noite?
Aeliana caminhou até a janela, calculando que onde Victor estava devia ser tarde da noite.
Ela abriu as cortinas, e a luz do sol invadiu, iluminando todo o quarto.
Aeliana relatou metodicamente a situação do dia anterior para Victor.
— O paciente está temporariamente estável, mas a polícia ainda está investigando o fator desencadeante. Pode levar algum tempo para descobrir a origem exata.
— Mas...
Lembrando da identidade do paciente, Aeliana achou estranho.
— Sr. Gomes, antes de eu ir, ninguém me disse que esse paciente era um prisioneiro.
Ela pensou que fosse algum político como o Sr. Almeida.
Não imaginava que seria um criminoso sob custódia.
A equipe de Victor aceitava esse tipo de trabalho?
Do outro lado, Victor ficou em silêncio por alguns segundos, com um tom de seriedade raro.
— Aeliana, não tive tempo de te explicar antes de você ir.
Aeliana apertou os lábios e finalmente assentiu:
— Certo, tomarei cuidado.
Ao desligar, Aeliana ficou na janela pensando sem parar.
Ela recordou os sintomas do paciente na noite anterior: epilepsia tóxica induzida por medicamentos, acompanhada de danos neurológicos.
Esses sintomas não pareciam um envenenamento acidental, mas sim...
Alguém colocou deliberadamente um indutor...
O celular vibrou de repente, interrompendo seus pensamentos.
Era uma mensagem de Santiago: [Aeliana, o relatório de sangue do prisioneiro saiu. Tem algo anormal. Você pode vir até a Divisão de Investigação Criminal para conversarmos?]
Aeliana respondeu: [Claro, me mande a localização.]
Uma hora depois, na DIC.
Santiago empurrou um relatório de teste para Aeliana.
— Esse relatório deixou os especialistas daqui furiosos. Dizem que o sangue dele contém uma neurotoxina rara. Quando usada em pacientes epiléticos, essa toxina faz com que as convulsões sejam muito mais violentas.
— Talvez aquele prisioneiro tenha recebido essa neurotoxina, por isso o ataque foi tão grave. Se não fosse pelo sedativo aplicado a tempo e o socorro imediato, talvez ele não tivesse sobrevivido.

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