Lá embaixo, o olhar de Marcelo era frio como gelo, e a voz tinha uma rigidez que não aceitava negociação:
— Amália, não me faça repetir pela terceira vez.
— Desça.
Amália sentiu a espinha gelar e recuou instintivamente meio passo.
A reação de Marcelo naquela noite estava anormal. Olhar, tom, atitude… tudo exalava crueldade.
Será que… a família Costa já sabia que ela estava grávida?
Assim que o pensamento surgiu, Amália sentiu como se tivesse caído num buraco de gelo.
Ela conhecia Marcelo muito bem. Se ele soubesse que ela estava grávida, com o ódio que sentia por ela, ele a arrastaria para fazer um aborto sem pensar duas vezes.
— Eu… eu não estou me sentindo bem… — a voz dela tremia; ela tentava ganhar tempo. — A gente pode conversar amanhã?
Marcelo riu friamente e subiu os degraus.
— Certo. Você não desce, então eu vou até você.
O sapato de couro batia na escada de madeira. Cada passo parecia pisar nos nervos de Amália, deixando-a tensa.
Daniela finalmente recuperou os sentidos e correu para bloquear Marcelo.
— Marcelo! O que você quer fazer? A Amália disse que não está bem!
Marcelo a empurrou para o lado, o olhar sombrio.
— Sai da frente.
— Isso é entre mim e ela.
Daniela estremeceu com aquele olhar e não ousou bloqueá-lo de novo.
Amália viu Marcelo se aproximar. O coração dela disparou. De repente, ela se virou e correu para o quarto.
— Bum!
Ela mal tinha entrado — e nem teve tempo de trancar a porta — quando Marcelo a chutou.
— Ah!
Amália gritou, tropeçando para trás, até as costas baterem na parede fria. Não havia para onde fugir.
Marcelo se aproximou passo a passo. A voz era cortante como faca.
— Amália.
— Está correndo do quê?
Diante daquela reação, era óbvio que ela tinha culpa.
Amália tremia, em pânico. A voz saiu chorosa.
Caiu no chão e ralou os joelhos. Mas, no segundo seguinte, uma dor muito mais forte explodiu no abdômen — como se uma faca estivesse sendo cravada ali.
O ventre contraiu. O rosto dela empalideceu na hora.
— Dói… Marcelo! Minha barriga dói!
Marcelo não acreditou nem um pouco. Impaciente, continuou a arrastá-la.
— Para de fingir! Hoje você volta comigo!
As lágrimas de Amália desceram; a voz ficou rouca.
— Dói de verdade! Me solta!
A reação dela não parecia falsa.
Marcelo hesitou e soltou a mão.
Amália estava pálida. Com dedos trêmulos, tocou entre as pernas. Quando a palma voltou, estava manchada de vermelho vivo e pegajoso.
— Sangue… sangue…
Ela ergueu a cabeça e olhou para Marcelo, os olhos cheios de terror.
— Marcelo! Me leva pro hospital! Rápido!
Marcelo ficou paralisado, encarando a mancha que se espalhava sob a saia. A mente ficou em branco.

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