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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 550

Lá embaixo, o olhar de Marcelo era frio como gelo, e a voz tinha uma rigidez que não aceitava negociação:

— Amália, não me faça repetir pela terceira vez.

— Desça.

Amália sentiu a espinha gelar e recuou instintivamente meio passo.

A reação de Marcelo naquela noite estava anormal. Olhar, tom, atitude… tudo exalava crueldade.

Será que… a família Costa já sabia que ela estava grávida?

Assim que o pensamento surgiu, Amália sentiu como se tivesse caído num buraco de gelo.

Ela conhecia Marcelo muito bem. Se ele soubesse que ela estava grávida, com o ódio que sentia por ela, ele a arrastaria para fazer um aborto sem pensar duas vezes.

— Eu… eu não estou me sentindo bem… — a voz dela tremia; ela tentava ganhar tempo. — A gente pode conversar amanhã?

Marcelo riu friamente e subiu os degraus.

— Certo. Você não desce, então eu vou até você.

O sapato de couro batia na escada de madeira. Cada passo parecia pisar nos nervos de Amália, deixando-a tensa.

Daniela finalmente recuperou os sentidos e correu para bloquear Marcelo.

— Marcelo! O que você quer fazer? A Amália disse que não está bem!

Marcelo a empurrou para o lado, o olhar sombrio.

— Sai da frente.

— Isso é entre mim e ela.

Daniela estremeceu com aquele olhar e não ousou bloqueá-lo de novo.

Amália viu Marcelo se aproximar. O coração dela disparou. De repente, ela se virou e correu para o quarto.

— Bum!

Ela mal tinha entrado — e nem teve tempo de trancar a porta — quando Marcelo a chutou.

— Ah!

Amália gritou, tropeçando para trás, até as costas baterem na parede fria. Não havia para onde fugir.

Marcelo se aproximou passo a passo. A voz era cortante como faca.

— Amália.

— Está correndo do quê?

Diante daquela reação, era óbvio que ela tinha culpa.

Amália tremia, em pânico. A voz saiu chorosa.

Caiu no chão e ralou os joelhos. Mas, no segundo seguinte, uma dor muito mais forte explodiu no abdômen — como se uma faca estivesse sendo cravada ali.

O ventre contraiu. O rosto dela empalideceu na hora.

— Dói… Marcelo! Minha barriga dói!

Marcelo não acreditou nem um pouco. Impaciente, continuou a arrastá-la.

— Para de fingir! Hoje você volta comigo!

As lágrimas de Amália desceram; a voz ficou rouca.

— Dói de verdade! Me solta!

A reação dela não parecia falsa.

Marcelo hesitou e soltou a mão.

Amália estava pálida. Com dedos trêmulos, tocou entre as pernas. Quando a palma voltou, estava manchada de vermelho vivo e pegajoso.

— Sangue… sangue…

Ela ergueu a cabeça e olhou para Marcelo, os olhos cheios de terror.

— Marcelo! Me leva pro hospital! Rápido!

Marcelo ficou paralisado, encarando a mancha que se espalhava sob a saia. A mente ficou em branco.

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