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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 548

Ainda assim…

Ao pensar na surpresa que Henrique havia preparado para aquela noite, a Sra. Rabelo sentiu a expectativa crescer.

Fechou os documentos, levantou-se, pegou o casaco e disse à assistente:

— Veja se tem mais algum compromisso pra hoje à noite.

— Se tiver, e não for muito importante, remarca pra amanhã.

— Vou encerrar por hoje e ir pra casa.

A assistente assentiu.

— Sim, Sra. Rabelo.

Meia hora depois, ela chegou à mansão.

A casa estava silenciosa; não se via ninguém. As luzes haviam sido ajustadas para uma penumbra suave. Ao subir, ela viu apenas a luz quente vindo do quarto principal.

A Sra. Rabelo empurrou a porta e parou por um instante.

Henrique estava recostado na cabeceira, vestindo apenas um roupão de seda preto, frouxo e sem o cinto, deixando à mostra as linhas do abdômen. Ao vê-la entrar, ele sorriu e deu tapinhas no lado da cama.

— Senhora, você voltou.

Ela estreitou os olhos, fechou a porta com as costas da mão e caminhou em silêncio sobre o tapete.

— Essa é a "surpresa" de que você falou?

Henrique riu baixo, segurou o pulso dela e a puxou para seus braços.

— Pra que tanta pressa?

Ele baixou a cabeça e sussurrou no ouvido dela, com a respiração quente:

— A surpresa… só vale se a senhora tocar com as próprias mãos.

A Sra. Rabelo arqueou a sobrancelha. Ela passou a ponta dos dedos pela abertura do roupão, mas parou de repente ao tocar em algo.

Os olhos dela se arregalaram de leve.

— Isso é…

Henrique realmente sabia "inovar".

O sorriso dele se aprofundou. Ele segurou a mão dela e a guiou para baixo. A voz saiu rouca, sedutora.

— Fiz isso especialmente pra senhora.

— Pra retribuir, mandei implantar hoje mesmo.

— E aí? Gostou?

A ponta dos dedos dela tocou a textura metálica fria, e a respiração falhou por um instante.

Sete pequenas esferas de ouro puro, incrustadas uma a uma, brilhavam com um fosco discreto sob a luz.

Henrique soltou alguns gemidos baixos em resposta.

O olhar de Henrique vacilou. Logo ele retomou o ar debochado.

— A senhora está com pena de mim?

Ela não respondeu. Apenas encostou a cabeça no ombro dele e fechou os olhos.

Henrique a observou; um sentimento complicado passou por seus olhos.

Essa mulher… será que é sincera, ou…?

Antes que ele terminasse o pensamento, a Sra. Rabelo falou de repente:

— Eu já mandei prepararem o plano de negócios da empresa que eu te prometi. Talvez a gente consiga abrir em breve.

Henrique ficou atônito. Ele não esperava que ela estivesse falando sério — e não apenas alimentando ilusões.

No fim, ele não encontrou palavras; apenas gaguejou:

— Senhora… que eficiência.

Ela riu suavemente.

— Afinal… eu preciso fazer valer a sua "sinceridade".

E olhou de forma sugestiva para o "presente" dele.

Henrique riu alto, virou-se e a prensou contra a cama.

— Então… que tal a senhora inspecionar a mercadoria mais uma vez?

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