Ainda assim…
Ao pensar na surpresa que Henrique havia preparado para aquela noite, a Sra. Rabelo sentiu a expectativa crescer.
Fechou os documentos, levantou-se, pegou o casaco e disse à assistente:
— Veja se tem mais algum compromisso pra hoje à noite.
— Se tiver, e não for muito importante, remarca pra amanhã.
— Vou encerrar por hoje e ir pra casa.
A assistente assentiu.
— Sim, Sra. Rabelo.
…
Meia hora depois, ela chegou à mansão.
A casa estava silenciosa; não se via ninguém. As luzes haviam sido ajustadas para uma penumbra suave. Ao subir, ela viu apenas a luz quente vindo do quarto principal.
A Sra. Rabelo empurrou a porta e parou por um instante.
Henrique estava recostado na cabeceira, vestindo apenas um roupão de seda preto, frouxo e sem o cinto, deixando à mostra as linhas do abdômen. Ao vê-la entrar, ele sorriu e deu tapinhas no lado da cama.
— Senhora, você voltou.
Ela estreitou os olhos, fechou a porta com as costas da mão e caminhou em silêncio sobre o tapete.
— Essa é a "surpresa" de que você falou?
Henrique riu baixo, segurou o pulso dela e a puxou para seus braços.
— Pra que tanta pressa?
Ele baixou a cabeça e sussurrou no ouvido dela, com a respiração quente:
— A surpresa… só vale se a senhora tocar com as próprias mãos.
A Sra. Rabelo arqueou a sobrancelha. Ela passou a ponta dos dedos pela abertura do roupão, mas parou de repente ao tocar em algo.
Os olhos dela se arregalaram de leve.
— Isso é…
Henrique realmente sabia "inovar".
O sorriso dele se aprofundou. Ele segurou a mão dela e a guiou para baixo. A voz saiu rouca, sedutora.
— Fiz isso especialmente pra senhora.
— Pra retribuir, mandei implantar hoje mesmo.
— E aí? Gostou?
A ponta dos dedos dela tocou a textura metálica fria, e a respiração falhou por um instante.
Sete pequenas esferas de ouro puro, incrustadas uma a uma, brilhavam com um fosco discreto sob a luz.
Henrique soltou alguns gemidos baixos em resposta.
O olhar de Henrique vacilou. Logo ele retomou o ar debochado.
— A senhora está com pena de mim?
Ela não respondeu. Apenas encostou a cabeça no ombro dele e fechou os olhos.
Henrique a observou; um sentimento complicado passou por seus olhos.
Essa mulher… será que é sincera, ou…?
Antes que ele terminasse o pensamento, a Sra. Rabelo falou de repente:
— Eu já mandei prepararem o plano de negócios da empresa que eu te prometi. Talvez a gente consiga abrir em breve.
Henrique ficou atônito. Ele não esperava que ela estivesse falando sério — e não apenas alimentando ilusões.
No fim, ele não encontrou palavras; apenas gaguejou:
— Senhora… que eficiência.
Ela riu suavemente.
— Afinal… eu preciso fazer valer a sua "sinceridade".
E olhou de forma sugestiva para o "presente" dele.
Henrique riu alto, virou-se e a prensou contra a cama.
— Então… que tal a senhora inspecionar a mercadoria mais uma vez?

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