Aeliana baixou os olhos, acariciando levemente a borda da xícara.
Uma pontada de surpresa passou por seu coração, mas logo voltou à calma.
Afinal, no coração de Aeliana, Henrique sempre fora aquele personagem dominador, arrogante e inalcançável.
Ele chegaria a esse ponto?
Aline foi se aproximando de Aeliana enquanto falava, com o olhar mais preocupado.
— Mas o mais estranho é que ouvi meu pai dizer que os projetos que estão pressionando a família Oliveira são um pouco suspeitos. Provavelmente têm a sombra do Grupo Costa por trás...
O Grupo Martins, para chegar onde chegou, às vezes tinha informações muito mais rápidas que os outros. Rafael Martins, vivendo no mundo dos negócios, tinha uma perspicácia muito mais aguçada.
Ele foi direto ao ponto.
Aline admitiu que ficou chocada quando ouviu.
Afinal, todos viram como Gervásio defendeu Amália no casamento; todo o círculo social sabia que Gervásio preferia a nora à filha.
Havia até rumores maldosos e nojentos circulando nos bastidores.
Por isso, Aline estremeceu ao ouvir o pai dizer que a queda da família Oliveira tinha o dedo da família Costa.
Aeliana também ficou com o olhar aguçado com as palavras de Aline.
Grupo Costa?
Marcelo?
Ela se lembrou subitamente da atitude estranha de Gervásio no dia do casamento.
Não era à toa...
Na época, Aeliana percebeu que havia algo errado com Gervásio, mas não imaginava que a ambição dele fosse tão grande.
A família Costa queria engolir a família Oliveira inteira para se fortalecer.
Não era à toa que Gervásio tolerou Amália machucando sua filha.
Agora parecia que a família Costa já estava planejando isso há muito tempo.
Beatriz estava com o rosto confuso.
— Por que minha família iria atacar a família Oliveira?
Por causa dela?
Improvável.
Se fosse por ela, deveriam ter ido atrás da família Oliveira na época do casamento. Acertar as contas agora parecia um pouco tarde demais.
— Eu e a família Oliveira não temos mais relação alguma.
Aeliana a interrompeu, com voz fria.
— Se eles tiverem azar, eu aplaudirei, não tenho tempo para mais nada.
Beatriz encolheu o pescoço, sem ousar falar.
Aline mostrou a língua: — Tudo bem, finja que não disse nada.
Ela mudou de assunto, sorrindo e segurando o braço de Aeliana. — Ah! Quanto tempo você vai ficar desta vez? Faz tempo que não vamos às compras!
Aeliana disse calmamente: — Cerca de uma semana.
— Vai embora de novo? — Aline lamentou. — Você é mais ocupada que um CEO!
Aeliana não explicou, apenas olhou as horas: — Jocelino marcou um jantar, vou me trocar.
Ela se levantou e foi para o quarto, deixando para trás os sussurros de Aline e Beatriz.
— Aeliana parece não se importar nem um pouco com a família Oliveira...
— Claro, depois de como a família Oliveira a tratou, no lugar dela eu também teria preguiça de me importar!

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